domingo, 25 de março de 2012

OS PRÓS E OS CONTRAS DAS PÍLULAS ANTICONCEPCIONAIS!!

Devido ao sucesso do último post, As vantagens e desvantagens do uso do anticoncepcional, deixo duas matérias de grandes veículos que também falam obre os prós e contras das pílulas anticoncepcionais. Mas é claro que tudo depende também da reação de cada organismo. Estas duas matérias apontam o que novos estudos falam sobre o tema.  Estou preparando posts inéditos, que já pretendo colocar aqui esta semana. Espero que curtem!! Beijos com carinhos!!

Menstruação interrompida: prós e contras

Por Romy Aikawa

Antes que se livrar da menstruação, saiba quais são os prós e contras

O que dizem os especialistas?

Suspender a menstruação já deu e ainda dá muito o que falar. Quem pôs lenha na fogueira foi o ginecologista baiano Elsimar Coutinho, quando lançou o livro Menstruação, a Sangria Inútil, em 1996. A partir daí, surgiram diferentes medicamentos à base de hormônios que interrompem o ciclo com a promessa de reduzir chateações típicas daqueles dias. O tema virou polêmica, dividiu a opinião dos médicos e, pior, confundiu a cabeça das mulheres. A boa notícia é que toda essa controvérsia serviu de estímulo à realização de um estudo científico que testou cada um desses métodos para responder definitivamente se vale a pena parar de menstruar.

Vamos entender o porquê de toda a discussão. Para Elsimar Coutinho, suspender a menstruação não só livra a mulher de um incômodo mensal como é o melhor tratamento contra anemia, endometriose (inflamação do revestimento interno do útero), mioma (tumor benigno do útero), cólica e tensão pré-menstrual. Até existe um certo consenso entre os especialistas quanto ao uso de hormônios para tratar doenças, mas boa parte deles discorda da prescrição para casos de TPM ou apenas pela praticidade de não menstruar mais. Entre os principais motivos da turma do contra está o fato de que, com a suspensão, perde-se o papel sinalizador da menstruação de que o óvulo não foi fecundado ou ainda que está tudo correndo bem com o organismo — a ausência do sangramento regular pode indicar, por exemplo, problemas nas glândulas tireoide e suprarrenal. Eliezer Berenstein, autor do livro A Inteligência Hormonal da Mulher também defende que o cérebro feminino é inundado por hormônios ao longo de todos os meses e, ao interromper a menstruação, a harmonia desse ciclo ficaria comprometida, interferindo até no nosso temperamento.

Tira-teima dos hormônios:

Essas questões foram colocadas à prova num estudo científico do Centro de Apoio à Mulher com TPM do Hospital das Clínicas de São Paulo, ligado à Universidade de São Paulo (USP). Durante dois anos, foram acompanhadas voluntárias que queriam bloquear a menstruação por sofrer de TPM intensa. O objetivo era verificar o nível de eficácia dos medicamentos disponíveis no mercado: checar se amenizavam os sintomas, interrompiam mesmo a menstruação e apresentavam efeitos colaterais. As moças foram divididas em grupos e se submeteram à injeção trimestral, pílula anticoncepcional utilizada sem interrupção e implante de progesterona.

Os primeiros resultados, revelados à BOA FORMA, já apontam alguns dados decisivos: nenhum dos métodos adotados conseguiu interromper completamente a menstruação de todas as voluntárias — houve pequenos sangramentos irregulares chamados pelos ginecologistas de spotting. Nesse ponto, o que teve maior eficácia foi a injeção trimestral. No entanto, algumas mulheres engordaram de 2 a 6 quilos! Em relação aos sintomas físicos da TPM (inchaço, cólica e dor de cabeça), o implante, que suspende a menstruação por até três anos, apresentou a melhor atuação. Vale destacar que sintomas emocionais como ansiedade e irritação foram melhor combatidos com antidepressivos. Mas, novamente, apenas 50% das usuárias não menstruaram.

Quanto às pílulas, ficou claro que a probabilidade de efeitos colaterais é proporcional à dosagem hormonal. A que possui grande quantidade de estrogênio sintético pode causar efeitos similares aos da TPM. ”Ao interferir nos processos naturais do organismo, todos os medicamentos apresentam vantagens e desvantagens“, explica Mara Diegoli, coordenadora do estudo e autora do livro TPM – Vencendo a Tensão Pré-Menstrual. Segundo ela, há situações em que a suspensão da menstruação pode até salvar vidas.
Por exemplo: no caso de doenças que se agravam com a gravidez, mulheres com problemas de coagulação do sangue ou quem sofre com convulsões durante a menstruação. De modo geral, no entanto, Mara defende a adoção de outras medidas terapêuticas. ”Mesmo para endometriose, mioma e anemia existem outras formas de tratamento“, pondera a médica. Agora, se é a maldita da TPM que está fazendo você infeliz, a especialista continua apostando no famoso trio atividade física + alimentação + suplementos como as vitaminas B6, E, magnésio e óleo de prímula. Sexo também ajuda muito: o orgasmo reduz a tensão, a irritabilidade e a congestão pélvica. Quer remédio melhor?
Fonte: revista Boa Forma: http://boaforma.abril.com.br/comportamento/saude-mulher/menstruacao-interrompida-pros-contras-489481.shtml




Pílula anticoncepcional pode diminuir a libido da mulher

RIO - Mulheres que tomam a pílula anticoncepcional podem sofrer com a perda de libido, indica um novo estudo feito por alemães e publicado no "Journal of Sexual Medicine". Outros métodos hormonais, como os implantes subcutâneos, também costumam afetar o desejo sexual da mulher, disseram os pesquisadores.
- Os problemas sexuais podem ter um impacto negativo na qualidade de vida e no bem-estar feminino, independente da idade. A falta de desejo sexual é um problema comum, que atinge cerca de duas em cada cinco mulheres - afirma a pesquisadora Lisa-Maria Wallwiener, da Universidade de HeidelBerg, na Alemanha.
Segundo ela, a perda de libido feminina é multifatorial. Estresse, filhos, excesso de trabalho e uma vida afetiva ruim pode alterar o desejo sexual delas. Porém, nos útlimos anos, cientistas estão dando mais atenção aos contraceptivos hormonais e seus efeitos na vida sexual das mulheres.
O estudo alemão avaliou 1.046 mulheres em idade fértil que tomavam pílula há pelo menos seis meses. Destas, um terço tinha algum tipo de disfunção sexual, que variava da perda total da libido, passando pela dificuldade de chegar ao orgasmo e até mesmo dor durante o ato sexual.
Segundo os pesquisadores, o maior problema da pílula é que ela diminui os níveis de testosterona, hormônio que ajuda a aumentar o desejo sexual em homens e mulheres. Quando a testosterona está muito baixa, fica difícil sentir vontade de manter relações sexuais. Nos testes feitos pelos pesquisadores, as mulheres que tomavam pílula tinha o nível mais baixo de satisfação sexual. As que usavam somente a camisinha tinham o maior. Associar o cigarro ao uso do contraceptivo, afirmam os alemães, prejudica ainda mais a libido.
- O resultado é muito interessante, pois em um futuro próximo poderemos determinar que combinações de hormônios melhoram ou pioram a satisfação sexual. Hoje já existem vários tipos de pílula e a mulher que não se adapta a uma pode trocar por outra. Daqui a pouco, saberemos exatamente o que afeta ou não a libido feminina.
Fonte: jornal O Globo on-line: http://oglobo.globo.com/saude/pilula-anticoncepcional-pode-diminuir-libido-da-mulher-3012939

domingo, 18 de março de 2012

AS VANTAGENS E DESVANTAGENS DO USO DO ANTICONCEPCIONAL!

Todos os dias recebo inúmeras sugestões de posts. Afinal, é você leitor quem faz o nosso blog. Por isso, hoje vou falar de algo muito importante para nós, portadoras de endometriose: as vantagens e desvantagens do uso dos anticoncepcionais orais. Será que eles são realmente benéficos ao nosso organismo? E àquelas mulheres que fazem uso contínuo desse medicamento, faz mal? Não há dúvida de que o surgimento da pílula anticoncepcional foi uma revolução na vida da mulher, já vistas até hoje, em especial na vida sexual. Até então, a mulher era uma mera 'reprodutora’. Sei que, em muitas culturas, infelizmente, a mulher ainda tem esse papel. Com o advento da pílula anticoncepcional, nos Estados Unidos, mais precisamente em agosto de 1960, causou a maior revolução em prol da mulher no mundo todo. Foi a partir daí, que a mulher passou a levantar a bandeira da liberdade sexual. Elas começaram a reivindicar seus direitos, não só no sexo, mas, em questões que antes era apenas direito dos homens. Como por exemplo, que equiparassem seus salários aos dos homens. Com o rompimento do vínculo, de que o sexo era apenas para gerar um bebê, as mulheres começaram a descobrir que o sexo pode ser uma das principais fontes de prazer.

Com isso, ao mesmo tempo em que a pílula anticoncepcional nos permite escolher o momento certo para ter um filho, ela também pode nos livrar dos incômodos causados pelos transtornos do período menstrual. Muitas doenças são controladas pelo uso contínuo desse medicamento. Não é só a endometriose que é controlada por meio de pílulas. Mas será que essa forma de tratamento traz benefícios ou riscos à nossa saúde? Eu vejo por mim mesma. Tomo pílula desde os meus 20 anos, pois desde os meus 15 anos, tenho cistos de ovário. Juro que não sei o que é ter uma menstruação natural. Antes de eu descobrir ser portadora de endometriose, em 2009, eu tomava o anti com intervalo de sete dias, para que houvesse a menstruação. A menstruação é uma manifestação fisiológica do corpo feminino, e se dá quando não há a fecundação. Existe o sangue considerado sadio e doente, que já falamos aqui. Infelizmente, em muitas culturas, durante esse período, a mulher é considerada impura. É mole!? Morro de pena dessas mulheres, mas cada país com seus costumes. Em outras, significa um momento sublime, pleno da mulher, pois é o período em que ela pode gerar uma vida. Entre as dúvidas que recebo sobre este tema, está à questão de como é a vida sexual de quem não menstrua. É fato que podemos perder a libido, mas nem todo organismo reage igual. Apesar de a endo ser causada pela menstruação, é ela quem limpa nosso organismo. É a tal da menstruação que nos dá aquele ‘fogo’ a mais, pois sem ela, não temos a ovulação. E é justamente no período fértil que ficamos mais fogosas e que desejamos mais sexo. Como não sou médica, apenas portadora e estudiosa da área, vou colocar os principais prós e contras, para que cada uma explicite sua opinião.
Vantagens que a pílula apresenta:
  • Regula o ciclo menstrual;
  • Diminui a acne, em especial, daquelas mulheres mais velhas, que nunca tiveram esse problema. Eu sei sobre isso, pois aconteceu com uma de minhas irmãs. No primeiro mês de uso, a acne sumiu do rosto dela;
  • Diminui a intensidade e frequência das cólicas menstruais;
  • Controla os sangramentos intensos;
  • É a forma contraceptiva mais barata;
  • Pode combater os sintomas da TPM;
  • A fertilidade retorna após a interrupção do tratamento, ao contrário do dispositivo intrauterino Mirena, que será um dos próximos posts, após pedido da minha querida leitora Letícia Mesquita;
  • É tido como o contraceptivo mais tolerado pela maioria das mulheres.
Em contrapartida, a falta da menstruação é agressiva ao nosso corpo. A matemática é simples: na menopausa, sem a menstruação, e consequentemente, sem a ovulação, a mulher tem menos vontade de fazer sexo. Então, o uso da pílula pode sim diminuir o nosso desejo sexual. A maioria deles tem a combinação estrógeno e progesterona. Existem três formas de contraceptivo oral: os monofásicos, os bifásicos e os trifásicos. O tido como monofásico é aquele que tem a mesma quantidade de estrógeno e progesterona em toda a cartela de 21 comprimidos. Esse é o método mais usado no Brasil. O bifásico é aquele em que os 22 comprimidos são de cores diferentes, e contêm duas composições ativas distintas, ou seja, tem dosagens diferentes durante todo o ciclo. Já o trifásico tem os mesmos hormônios, mas em três doses diferentes. Essa pílula deve ser tomada na ordem indicada pela embalagem. Existem também as monofásicas contínuas, chamadas de minipílulas, feitas de progesterona, que são as pílulas mais novas no mercado, e se apresentam na forma de 28 comprimidos com a mesma composição e dose.

Agora, saiba quais os efeitos colaterais e as desvantagens do uso de um contraceptivo oral:
  • Náuseas;
  • Dores de cabeça;
  • Ganho de peso;
  • Aumento do apetite;
  • Alteração de humor, e inclusive, muito nervosismo;
  • Depressão;
  • Diminuição da libido;
  • Inchaço das glândulas mamárias;
  • Vertigem;
  • Pressão alta;
  • Escapes dos sangramentos, mesmo quando administrada na forma contínua;
  • Manchas na pele;
  • Pode causar AVC (acidente vascular cerebral), trombose venosa profunda e/ou infarto, em especial as mulheres fumantes, ou aquelas acima de 35 anos;
  • Retenção de líquido;
  • Pode aumentar o risco para tumores de fígado, sendo muito raros os tumores malignos;
  • As pílulas mono, bi e trifásicas não são recomendadas às mulheres lactantes, pois ela pode interferir na qualidade do leite. Elas podem fazer o uso da minipílula, feita de progesterona.
Será que a pílula anticoncepcional é um tratamento adequado? Desde a minha cirurgia, em julho de 2010, tomo o Level, anticoncepcional à base de levonorgestrel e etinilestradiol. Desde outubro do mesmo ano, faço o uso ininterrupto deste medicamento. Um ano e meio depois, os focos voltaram, e desta vez, em lugares que até então, ainda não tinha tido antes. Pesquisando sobre o assunto, sei que esse tratamento é um dos mais usados, inclusive, em outras doenças como tumores benignos, cistos, entre outras. Porém, existe ainda controvérsia, pois tudo depende de cada caso. Não são em todos os casos de endometriose, que o anticoncepcional contínuo é a melhor maneira de tratamento. Por isso é fundamental que a portadora conheça sobre a doença e que converse com seu médico sobre as formas terapêuticas. Afinal, como digo: o especialista tem de ser seu melhor amigo. Espero que curtem! Beijos com carinho!!


domingo, 11 de março de 2012

A ENTREVISTA DO DR. UNIVALDO SAGAE, NA RÁDIO GLOBO DO PARANÁ!

No último dia 7 de março, o dr. Univaldo Sagae, proctologista e cirurgião do aparelho digestivo da Gastroclínica Cascavel, explicou sobre endometriose no programa "Manhã da Globo", na Rádio Globo Cascavel. Ele é um dos grandes especialistas brasileiros e alguns dos médicos-cientistas que estudam a doença. De 15 a 20% da população feminina brasileira, em idade reprodutiva, sofre de endometriose. Cerca de 40% das mulheres inférteis no país, têm endometriose. Segundo a Organizações das Nações Unidas (ONU) são 176 milhões de mulheres no mundo que sofrem com a doença. Mais uma vez, agradeço imensamente a minha querida amiga Soraia David. É uma bela explicação, assim como no "Medicina & Saúde", programa comandado por ela na TV Tarobá, afiliada da Band no Paraná, e exibido em fevereiro de 2010. Confira a entrevista do dr. Sagae às jornalistas Aline Heinrich e Luciane Rossi: http://www.youtube.com/watch?v=ngzosf_PgN8&feature=player_embedded Vale muito a pena ouvir para entender um pouco mais sobre esta tão temida e terrível doença. Beijos com carinho!!

quarta-feira, 7 de março de 2012

A HISTÓRIA DA LEITORA DANIELE BALBINO E SUA ENDOMETRIOSE!

Não a toa que a endometriose é chamada de "a doença enigmática". Alguém já ouviu sobre alguma outra doença que fosse um enigma para a medicina? Não se consegue explicar muito bem porque algumas mulheres têm a doença, e outras não. Existem várias teorias que se explicam isso, e que farei até um post aqui no blog, em breve, mas nada de concreto se fundamenta em relação à doença. Ok, a menstruação retrógrada, ou a Teoria de Sampson, proposta, pela primeira vez, em 1927, por John Albertson Sampson. Antes ou depois, muitas outras surgiram, mas nenhuma explicação concreta se firmou até agora. Já estamos no século XXI. Será que a cura ainda vem neste século? O que dizer de uma mulher que se torna portadora, após a cesárea de sua filha? Cada vez mais que estudo a doença e conheço a doença e suas portadoras, fico impressionada com o poder de destruição que a endo é capaz de fazer com nós, mulheres. Para alertar as mulheres do mundo, hoje o A Endometriose e Eu conta a história da nossa querida leitora Daniele Balbino, que mora na cidade da Serra, na região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo. O A Endometriose e Eu se orgulha por ter sido o blog pioneiro em contar histórias de suas leitoras. O blog fica feliz de ver sua ideia disseminada em outros blogs. afinal, cada mulher e cada corpo reage de um jeito com a doença. Mulheres, atenção, parto cesárea pode nos tornar portadora de endometriose. Na verdade, quem faz cesáreas tem mais chances de adquirir aderências, por conta do corte. Foi o que aconteceu comigo, quando retirei um cisto no ovário, aos 15 anos. Isso fez com que eu quase morresse, de tanta aderência que esta cirurgia causou. A cirurgia de apêndice foi ersponspavel por deslocar meu intestino de lugar. É por isso que a videolaparoscopia é a cirurgia mais indicada para a retirada dos focos da endo.

“Sou a Daniele Balbino Rocha Rangel, técnica em Enfermagem, moro na cidade da Serra, na região metropolitana de Vitória, no Espirito Santo e tenho 33 anos. A minha história com a endometriose começou cinco anos após ter realizado a cesárea de minha filha, hoje com 16 anos. Comecei a sentir cólicas fortes, a qual nunca tinha sentido antes. Mas pensava ser normal, já que sempre ouvi dizer que, depois de ter filhos, o nosso corpo pode mudar quando estamos no período menstrual. Por isso achei que fosse a mudança pós-gravidez, e fui levando por mais alguns anos, quando passou de cólicas fortes a cólicas insuportáveis. A essa altura, eu já tinha dificuldade para urinar quando se aproximava minha menstruação. Aliás, uma semana antes, uma irritabilidade grande me assolava e quase não urinava, embora a bexiga estivesse cheia. Eram inúmeras idas ao banheiro na tentativa de esvaziar a bexiga. Eu chegava a chorar e a ficar 30, 40 minutos sentada em vão no vaso sanitário. Fui a uma médica, que me disse ser normal o que eu sentia, mas solicitou um ultrassom endovaginal. Confesso que me acomodei, já que a doutora havia dito ser normal o que eu estava sentindo. E, por mais dois anos, não me importei com os sintomas. Quando chegava esse período, eu tentava em vão me livrar das dores, e tomava até quatro comprimidos de dipirona seguidos. Passei a ter vontade de evacuar toda vez que ia ao banheiro urinar, e passei a notar também que a minha urina saía rosada. Em 20 de Outubro de 2008, tive uma crise violenta de TPM (tensão pré-menstrual), e comecei a comentar meus sintomas, com o médico urologista com quem trabalho. Foi aí que o dr. Robson Canhamaque disse-me que, pelos sintomas que descrevi, poderia ser endometriose.

Durante nossa conversa comecei a sentir fortes dores, e pedi licença para ir ao banheiro. Ele também já estava de saída, pois atenderia em outro local, mas disse que era pra procurá-lo no dia seguinte no hospital em que estaria. Continuei trabalhando, pois a dra Martha Sperandio ainda estava em atendimento. Continuei, com muitas dores, e muitas idas ao banheiro, e se quer conseguia sentar. Por fim não tinha mais urina, mas sim, eu estava tendo um sangramento uretral, saía coágulos de sangue ao invés de urina. Assim que acabou o expediente, a doutora me levou ao hospital e pediu que fosse feita uma medicação em mim, e que me levaria ao hospital militar, onde já fui dependente, para me internar. Como a dor havia passado, após a medicação, eu disse que não seria necessária a internação. Ela me deixou em casa, e a partir desse dia, as coisas pioraram. Bebo muita água diariamente, mas desde que recebi a medicação, eu não urinei mais. Dormi até determinada hora. Mas quando foi 2h da manhã, o meu tormento começou. Estava com uma bexiga muito inchada, e chorando por querer urinar, mas não conseguia. As 5h, minha mãe acordou com meu choro e ela me levou ao hospital militar, onde o dr. Robson dava expediente. Fui deitada no banco de trás do carro. A dor era tanta que não conseguia se quer sentar. Ao chegar lá, o dr. foi ao meu encontro no pronto-socorro, e disse que iria me deixar no soro para ver se eu urinava. Foi quando pedi para que ele não me injetasse líquido, mas que passasse uma sonda. Foram retiradas mais de quatro cubas de hematúria (nota da editora: presença de sangue na urina).

Eu já estava anêmica e com distúrbio de coagulação, o qual me impedia de fazer uma cistoscopia (nota da editora: exame endoscópio das vias urinárias baixas. É realizado com o cistoscópio (nota da editora: aparelho que possui ótica que visualiza o interior da bexiga, uretra e ureteres), pois, eu poderia ter uma hemorragia violenta na hora desse exame. Permaneci internada para realizar exames: ultrassom das vias urinárias e o endovaginal, o qual senti dores horríveis. Com isso, o médico me avisou de que poderia ser endometriose, pois estava tudo aderido ao canal vaginal, mas nada de descobrir o que estava realmente acontecendo com meu corpo. Segui internada e foi pedida uma tomografia. Nela foi visto uma massa entre meu útero e minha bexiga. Nesse momento, os médicos passaram a suspeitar de um carcinoma (câncer), e me informaram sobre essa suspeita. Pediram uma ressonância magnética onde foi constatada essa massa, que já estava com infiltração no ureter esquerdo, na bexiga e entre o sigmoide e o reto. Voltei para casa após 10 dias de internação e usando a sonda vesical. Continuei fazendo mais exames, entre eles, a colonoscopia, que mostrou que não havia invasão interna no intestino. Fiz a cistoscopia quando melhorou minha coagulação sanguínea. Essa primeira foi só pra visualizar. Repeti o exame outra vez para fazer a biópsia, a qual confirmou a presença do tecido do endométrio na bexiga. Mais uma vez fui para casa de sonda. Comecei então o tratamento com zoladex. Fiz aplicação de quatro doses associada ao uso de depo-provera (nota da editora: um contraceptivo hormonal à base de acetato de medroxiprogesterona injetável intramuscular, que a paciente toma a cada três meses), mas esse remédio não suspendeu minha menstruação. Após essas quatro doses parei com esse remédio e continuei o tratamento só com a depo, por mais uns oito meses. Os sangramentos continuaram. Comecei a conversar com meu ginecologista sobre uma histerectomia, a qual ele sempre foi contra, pois eu sofreria com uma menopausa precoce. E eu lá estava preocupada com uma menopausa precoce? Minha preocupação era com a minha função renal, que estava cada vez menor a cada cintilografia feita (nota da editora: exame de imagem que difere do raio-x e do ultrassom, pois seu principal objetivo é avaliar o funcionamento interno dos órgãos, e não apenas a morfologia desses órgãos. É mais indicado em caso de tumores com altas chances de metástase, grandes traumas, entre outras doenças). Comecei a ir a outros ginecologistas. Uma, inclusive, disse-me que o tratamento estava correto. Já o outro disse que ninguém mandava presente pra ele, que só mandavam bomba, e que era pra eu voltar depois de dois meses, pois eu já tinha feito uma cirurgia bariátrica (nota da editora: cirurgia para a redução do estômago) recentemente e que iria ver o que poderia fazer no meu caso.

Sai de lá indignada com os descasos desses profissionais. Mas um urologista, que é amigo do dr. Robson Canhamaque, o médico com o qual trabalhava e que me acompanhava, foi enfático em dizer que seria necessária uma cirurgia ginecológica e outra urológica. Enquanto isso, o problema persistia. Com o início do tratamento, eu seguia sem dor, mas com sangramento constante. Isso prejudicava muito minhas vias urinárias. Voltei ao ginecologista que me acompanhava, mudei o depo-proverona para o anticoncepcional cerazete. Essa troca não resultou em nada. Passei a comprar medicação por minha conta, na esperança de cortar o sangramento. Consegui isso por dois meses usando o mesigyna (nota da editora: contraceptivo hormonal injetável intramuscular à base de enantato de noretisterona e valerato de estradiol, que se toma mensalmente), mas ele não era o hormônio ideal. A essa altura, havia passado meses sem fazer a cintilografia, e foi quando comecei a sentir forte incômodo ao urinar. E bem nessa época, o urologista dr. Marcelo Zouain, que me atendia, entrou de licença médica, mas fui me consultar com um uro de sua equipe, que solicitou o pedido do exame. Neste momento, ele informou que meu rim não tinha mais jeito, e que só não o retiraria porque não iria me abrir somente para isso. Mas se eu precisasse de uma cirurgia ginecológica, eles retirariam o rim. Sai do consultório pensativa, e, de repente, eu estava em lágrimas. Em três anos de tratamento, e com tantos descasos, nunca tinha derramado uma lágrima em relação ao meu problema, pois sempre tive muita fé e força pra enfrentar esse inimigo que morava dentro de mim. Mas neste dia, o meu mundo desabou. Mesmo assim não deixei me abalar. Não sou o tipo de pessoa que toma a doença para si e a carrega nas costas. Eu a deixo ali no cantinho, e fico observando. Sou positiva e tento todas as possibilidades, e sempre sem deixar a tristeza tomar conta de mim . Voltei ao ginecologista e o avisei que estava cansada deste tratamento, de me entupir com esses hormônios, e que tudo foi em vão. Nesse momento, eu estava sangrando há mais de seis meses, já estava com a pele irritada de tanto usar protetores e literalmente irritada com tudo que estava acontecendo. Então, ele me deu a última solução, usar o mirena (nota da editora: dispositivo intrauterino). O plano liberou a colocação do meu DIU, sem problemas algum, e, no dia 23 de agosto de 2011, eu me internei para colocá-lo. A única vantagem do DIU em meu corpo foi o fato de ele ter regulado a minha menstruação, que passou a vir rigorosamente de 30 em 30 dias. Porém, o incômodo urinário aumentou.

Por conta disso, voltei ao consultório do dr. Marcelo Zouain, que disse-me que eu não poderia continuar assim, e que iria conversar com um amigo ginecologista, para ver se ele faria a parte ginecológica da minha cirurgia. Ele topou, e, em mens de 15 dias já tinha feito todos os exames pré-operatórios. A Unimed liberou na mesma hora, e então, minha cirurgia foi marcada sem ao menos eu passar por consulta com o ginecologista, amigo do meu médico. Imagino que alguém deve pensar que sou louca por ter feito uma cirurgia com um médico que não conhecia. Confiei e confio plenamente em meu uro, que abraçou minha causa, já que, até então, fui a vários ginecologistas e nenhum se preocupou com meu problema. E, no dia 30 de janeiro de 2012, fui para o centro cirúrgico ao meio-dia. Foram mais de sete horas de cirurgia. Saí da sala de cirurgia para a UTI às 22h. Tive hipotensão (nota da editora: pressão arterial baixa), por ter perdido muito sangue. Lembro-me quando o uro chegou perto de mim, e perguntou se estava tudo bem comigo. Ainda sonolenta, perguntei:” Como é que estava a situação dr.?” E ele respondeu: “ Pior do que eu imaginava. Senti que estava no limite das tentativas terapêuticas e que aquela hora era a hora.” E era mesmo. Hoje me recupero bem da histerectomia (nota da editora: retirada do útero), reimplante de ureter esquerdo, cateter no rim direito, retirada de parte da bexiga e do ovário direito. O ginecologista poupou o ovário esquerdo, para não ter sérios efeitos da menopausa, já que sou muito nova. Vamos bloquear a função desse ovário com hormônio. O importante é que sinto-me bem e sem dores cirúrgica. Voltei para casa de sonda, a qual apelidei carinhosamente de Totó, já que andava comigo pra cima e pra baixo 24 horas por dia, e que retirei três semanas após a cirurgia. Agora minha esperança está renovada, pois não estou mais condenada a uma hemodiálise, ou até mesmo a um transplante renal. Espero que minha história sirva de exemplo e ajude outras mulheres a perceberem os sintomas da endometriose, e que não esperem muito tempo pra buscar ajuda. E, que, principalmente, corra dos profissionais que nos tratam com tanto descaso em relação aos sintomas dessa doença, mas que vá em busca de outros. E que todas às mulheres que ainda sofrem com esse problema, e que venham ler minha postagem, digo para ter sempre consigo duas palavras, que foram primordiais em minha vida: FÉ e FORÇA. Foram nelas que me apeguei e hoje me sinto uma vencedora, mesmo após ter sido mutilada. O importante mesmo é que estou VIVA, graças a Deus! Beijos com carinho! Daniele"

sexta-feira, 2 de março de 2012

ESTUDO MUNDIAL REVELA O IMPACTO DA ENDOMETRIOSE NA VIDA DE SUAS PORTADORAS!!


É em março, o mês de conscientização da endometriose. No Brasil, ainda não temos nenhum evento neste mês, uma data de âmbito nacional, onde haja esta conscientização. Não importa a data, o importante mesmo é que haja uma semana ou um dia para conscientizarmos a população do nosso país, e do mundo todo, como a endo pode destruir a vida de uma mulher. Quem sabe muito em breve não trazemos esta ideia de março ao Brasil? Porém, todo dia é dia de conscientizar. Por isso, março, abril, maio, junho, julho vamos colorir o mundo de amarelo, a cor que elegeram para retratar a endometriose. Aliás, o assunto de hoje é sobre o impacto que a doença causa na vida de uma mulher. Como o meu trabalho de jornalista consiste sempre em muita pesquisa, seja em campo, ou na internet, escrevo hoje sobre o primeiro estudo mundial sobre o impacto social que a doença causa na vida de uma mulher, realizado pela World Endometriosis Research Foundation (WERF), em 2011.

Ao começar a ler o artigo, a frase do doutor e professor Stephen Kennedy, um dos co-autores do estudo e membro da WERF, me chamou atenção. Endometriose afeta mulheres durante os principais anos de suas vidas, um momento em que elas deveriam estar terminando seus estudos, iniciando ou mantendo suas carreiras, construindo relacionamentos e, talvez, começando a formar uma família. Para essas mulheres ter sua produtividade afetada, sua qualidade de vida comprometida e suas chances de começar uma família reduzida, é algo que a sociedade não pode mais ignorar. É tempo de ver o investimento sério na prevenção desta doença debilitante na próxima geração de mulheres", disse o professor Kennedy. Eu só corrigiria para o fato de que a endo já debilita a vida de suas portadoras. E isso independente da geração. Infelizmente, a endo não é algo que só irá impactar nas próximas gerações. Mas podemos salvar vidas, para que as nossas próximas gerações, não sofram como nós sofremos. A endo causa muito transtorno e muitas dores incapacitantes, e precisamos mudar esta realidade.

De acordo com a ONU (Organizações das Nações Unidas), a endometriose afeta 176 milhões de mulheres no mundo todo, ou seja, quase a população total do Brasil, que, segundo o Censo 2010, é de quase 191 milhões de pessoas. Ao fazer essa comparação, esse número é realmente assustador. Já imaginou todo o Brasil doente? O Estudo Global de Saúde da Mulher (GSWH) reuniu 1418 mulheres entre 18 e 45 anos, de 16 centros em 10 países nos cinco continentes. Foram recrutadas apenas mulheres que tiveram sua endometriose detectada após a cirurgia de laparoscopia. Aquelas que já tinham o diagnóstico antes da cirurgia foram excluídas da pesquisa. Foram respondidas 67 perguntas relacionadas aos sintomas e o impacto que essas mulheres tiveram em suas vidas, comparando o impacto desses sintomas em mulheres com e sem diagnóstico de endometriose. O coordenador do estudo, dr. Kelechi Nnoaham, afirmou que essa amostra é para destacar a situação de 176 milhões de mulheres que têm suas vidas afetadas pela endometriose. "Nossa pesquisa é o primeiro estudo prospectivo a ser realizado no domínio da endometriose para avaliar o impacto da doença", disse o investigador principal, dr. Krina Zondervan, epidemiologista e cientista sênior do Centro Welcome Trust de Genética Humana. Agora, o próximo passo desses pesquisadores é tentar explicar por que a endometriose afeta mulheres distintas e de formas diferentes. Essas duas frentes fazem com que a endo, ainda seja chamada de a doença enigmática. Até então, eu nunca ouvira falar de outra doença que recebera o nome de enigmática. Abaixo, as principais conclusões sobre o estudo:


     · Mulheres com endometriose tiveram um atraso médio de sete anos do início dos sintomas até que foram finalmente diagnosticados e tratados;


     · Two-thirds of women sought medical help for their symptoms before the age of 30 (one-fifth below the age of 19); Dois terços das mulheres procuraram ajuda médica para seus sintomas antes dos 30 anos (um quinto com idade inferior a 19);


     · 65% of women with endometriosis presented with pain, and one-third of these women were also infertile; 65% das mulheres com endometriose apresentou dor, e um terço destas mulheres também eram inférteis;


     · Infertility alone, without pain, was reported in 14% of women with endometriosis and 29% of those who did not have endometriosis. Infertilidade sozinha, sem dor, foi relatada em 14% das mulheres com endometriose, e 29% daquelas que não têm endometriose;

     · The severity of endometriosis (r-AFS disease stage) did not reflect the severity of a woman's symptoms; A gravidade da endometriose não reflete a gravidade dos sintomas de uma mulher;

     · Women with endometriosis suffer a 38% greater loss of work productivity than those without endometriosis – this difference was mainly explained by a greater severity of pain symptoms among women with endometriosis; Mulheres com endometriose sofrem uma perda 38% maior da produtividade do trabalho do que aquelas sem endometriose - esta diferença foi explicada principalmente por uma maior gravidade dos sintomas de dor entre mulheres com endometriose;

     · Reduced effectiveness at work accounts for more loss of work productivity than time missed from work; Reduzida eficácia em contas de trabalho para mais perda de produtividade do trabalho do que tempo perdido de trabalho;

     · Non-work related activities, such as housework, exercising, studying, shopping and childcare were also significantly impaired by the painful symptoms of endometriosis; O tido como não-trabalho, ou seja, outras atividades, tais como, tarefas domésticas, fazer exercícios, estudar, fazer compras, entre outras, também foram significativamente prejudicada pelos sintomas dolorosos da endometriose;

     · The pain symptoms of endometriosis reduce quality of life, with the impact being mainly on physical, rather than mental, health. Os sintomas dolorosos da endometriose reduzem a qualidade de vida da mulher. Esse impacto é principalmente físico, em vez de saúde mental. As symptoms become more severe, quality of life is further reduced.

Com o diagnóstico tardio, os sintomas se tornam ainda mais graves, e, consequentemente, a qualidade de vida de uma endomulher é ainda mais reduzida. Por isso, quanto mais rápido a mulher descobrir que tem endometriose e começar seu tratamento, mais qualidade de vida essa mulher terá. No Brasil, os médicos-pesquisadores do ambulatório de algia pélvica e endometriose da Unifesp realizaram quatro estudos causados pelos efeitos do diagnóstico tardio de endometriose nas mulheres, apresentados no último Congresso mundial, na França, em 2011, e que tema da matéria do “Jornal da Tarde”, a qual fui personagem, no último sábado dia 25. Portanto, mulheres, prestem atenção em seu corpo. Cólicas menstruais muito fortes, aquelas que não melhoram com um analgésico, antes, durante e após a menstruação, dores durante as relações sexuais, alterações intestinais e urinárias durante o período menstrual e dificuldade para engravidar procure seu ginecologista. Espero que curtam! Ah, eu não ando muito bem, estou com muitas dores, em especial, na lombar, onde dói muito 24 horas por dia. Por isso tenho me dedicado menos ao blog, Agradeço a atenção e a compreensão de todos. Beijos com carinho!!


Fonte: http://endometriosisfoundation.org/