terça-feira, 29 de outubro de 2013

A PERDA SILENCIOSA DO RIM LIGADA À ENDOMETRIOSE - PARTE 1!

A partir de hoje iremos falar um pouco sobre a endometriose ureteral, que acomete os ureteres. Hoje damos início a uma série de artigos intitulados:  "A perda silenciosa do rim ligada à endometriose ureteral", um estudo de quatro renomados cientistas  que explica mais sobre este tipo de endometriose explicitados em alguns casos clínicos. Começamos com o de uma mulher de 36 anos com um longo histórico de hipertensão e infertilidade que foi submetida a laparoscopia exploratória em outra instituição, onde foi revelada endometriose extensa e que foi considerada como irressecável, ou seja, que não dava para remover com cirurgia. Mas, quando ela foi parar nas mão de bons cirurgiões, foi possível, sim, realizar a cirurgia. E, logo após a cirurgia, essa mulher conseguiu engravidar naturalmente.  Neste caso, relatado por especialistas está bem explicado o que falamos no blog há alguns anos: a importância de um profissional que entende não só de endometriose, mas que sabe operar muito bem por laparoscopia, a gravada chama-se, videolaparoscopia. E quando a cirurgia é gravada, a paciente tem de sair do hospital com o vídeo de sua operação em mãos.  

Já contamos no blog, a história impressionante da leitora Sabrina Petermann, de Brusque, Santa Catarina, que comoveu muitas pessoas, inclusive, especialistas, por conta da devastação que a endometriose causou dentro dela. Ela acabou perdendo um de seus ureteres e teve de passar a usar um artificial, além de ser submetida à plástica na vagina. Tudo isso porque quando recebeu o diagnóstico, 10 anos antes, não foi avisada pelo profissional que a diagnosticou,  que se ela não tratasse a doença, ela poderia tomar conta de seus órgãos. Muito em breve, ela vai contar o fim de sua história aqui, mas já adianto que  com o fim do tratamento, exatamente um ano após sua cirurgia, ela conseguiu engravidar por meio de fertilização in vitro e hoje é mãe de um casal de gêmeos. Ela conseguiu e outras dos casos clínicos que serão contados. Não podemos nunca perdera fé, é preciso manter sempre a esperança e continuar sempre perseverando rumo aos nossos sonhos para torná-los realidade. 

Entre para nossa campanha: "Seja do bem vote pelo reconhecimento da endometriose como doença social”. Vote no A Endometriose e Eu, no prêmio TopBlog Brasil 2013. Neste ano, cada pessoa tem duas chances de voto. É um voto por e-mail e outro com o facebook. Se você tiver email e facebook, vote com os dois, pois assim teremos mais chances. Clique no link (http://bit.ly/18wANh9) e dê o seu voto. A primeira opção é o voto por e-mail, onde no primeiro espaço você vai colocar seu nome e sobrenome e, no segundo, seu e-mail. Você clica na seta votar, que está à direita na cor laranja. É necessário validar seu voto em seu próprio e-mail, que você vai receber do prêmio TopBlog Brasil. Basta clicar no link que estará em seu email, e pronto, seu voto foi validado com sucesso! Na sequência aparece o F, em azul, do facebook. Clica na seta laranja, faça seu login e pronto. Voto validado com sucesso! Conto com a ajuda de todos vocês em votar e, em especial, em compartilhar meu pedido entre seus amigos. Afinal, como eu sempre disse: "a união faz a força e juntos somos mais fortes". O primeiro turno vai até o dia 9 de novembro. Aproveite para conhecer a linha de camisetas exclusivas que acabamos de lançar para espalhar a conscientização da endometriose. É a nossa conscientização fashion! Beijo carinhoso!! Caroline Salazar


A perda silenciosa do rim ligada à endometriose ureteral - parte 1:

Autores: Camran Nezhat, MD, Chandhana Paka, MD, Mona Gomaa, MD, Erica Schipper, MD

Tradução: Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar

Endometriose ureteral é uma variante séria da doença que pode conduzir a obstrução do trato urinário com posterior hidroureter (nota do tradutor: distensão do tubo muscular que transporta a urina dos rins para a bexiga), hidronefrose (nota do tradutor: distensão do sistema urinário pelo impedimento da passagem livre da urina) e potencial perda da função do rim. O diagnóstico é ilusivo e depende grandemente da suspeita clínica já que a endometriose ureteral pode ocorrer nas formas de doença miníma ou extensa. A técnica cirúrgica para o tratamento varia, mas o objetivo é salvar e manter a função renal, diminuindo os efeitos da doença.

Descrição dos casos:

Descrevemos 3 casos em que foi documentada atrofia renal e perda da função com trabalho subsequente e intervenção cirúrgica.

Resultados:

Os casos ilustrados variam nas abordagens cirúrgicas adaptado para a cada caso de endometriose ureteral. Todos os casos foram tratados com recurso a laparoscopia.

Conclusão:

Endometriose ureteral, embora rara, pode ser complicada pela potencial perda da função renal. A suspeita clínica e avaliação pré-operatória pode ajudar com o diagnóstico e permitir um acompanhamento clínico multidisciplinar. A abordagem da cirurgia laparoscópica será baseada na extensão e localização da doença e poderá ser realizada com sucesso por um cirurgião laparoscópico muito experiente. 


Introdução:

A endometriose é uma doença inflamatória crônica que depende do estrogêneo e afeta de 6% a 10% das mulheres em idade reprodutora. É caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio, localizado fora da cavidade uterina. Existem três formas clinicas distintas: endometriose peritoneal, endometriose ovariana e lesões endométricas extragenitais.

Características histológicas comuns incluem glândulas endométricas e estroma (nota do tradutor: tecido de sustentação de um órgão), sangramento crônico e sinais de inflamação. Esse processo inflamatório leva a neurogênese (nota do tradutor: processo de criação de neurônios) e angiogênese (nota do tradutor: criação de novos vasos sanguíneos), tendo como resultado o favorecimento da sobrevivência do tecido endométrico.

Lesões solitárias podem ocorrer, mas a doença na sua forma grave resulta em aderências extensivas e distorção da anatomia que conduz a dor e possível infertilidade. Embora seja uma doença ginecológica comum, a localização em áreas distintas do peritônio, ovários e septo retovaginal ocorrem em cerca de 12% das mulheres com endometriose.

A endometriose pélvica pode não frequentemente envolver o sistema do trato urinário, em aproximadamente 1% dos casos, o que dá uma prevalência de 3,5 milhões de mulheres no mundo inteiro.

A bexiga é o órgão mais envolvido e a uretra o menos afetado. Dessas localizações da doença, a endometriose ureteral representa aproximadamente 10% do envolvimento genital-urinário, somando 350.000 mulheres no mundo todo.

Na endometriose , o envolvimento da uretra é geralmente limitado a um dos ureteres, tipicamente o esquerdo, e tem o potencial de causar obstrução do trato urinário, hidronefrose ureteral, e perda da função renal. Estima-se que 30% (próximo de 100 mil) das mulheres com endometriose ureteral terão entre 25% a 50% de perda de neufrônios (nota do tradutorestrutura microscópica capaz de eliminar resíduos do metabolismo do sangue) na hora do diagnóstico da endometriose ureteral e um número desconhecido terá perda do rim. Essa perda total de função renal é no entanto extremamente rara.

Descrições dos casos

Reportamos a nossa experiência com a endometriose ureteral resultando em perda cortical renal unilateral e subsequente, variando com as intervenções cirúrgicas. Foi obtido consentimento das pacientes para a inclusão nesse artigo.

Artigos Científicos:


Caso 1:

Uma mulher de 36 anos com um longo historial de hipertensão e infertilidade foi submetida a laparoscopia exploratória em outra instituição, onde foi revelada endometriose extensa que foi considerada como irressecável, ou seja, que não dava para remover com cirurgia.

Foi posteriormente diagnosticada com hidroureter e hidronefrose causados pela obstrução do ureter esquerdo, resultando em 15% de perda da função renal. Devido à menor funcionalidade do rim e à dor persistente, foi proposta uma nefrectomia (nota da editora: a retirada de um rim). No entanto, ela recusou e foi tratada com a inserção de um stent (nota do tradutor tubinho de malha) no interior do ureter e com Lupron (análogo de GnRH).

Um ano mais tarde, um ultrassom revelou uma nova massa adnexa (nota do tradutor: apêndice do órgão). Uma TAC (tomografia axial computorizada) revelou hidroureter e hidronefrose com diminuição da espessura do rim esquerdo. O ureter estava dilatado até ao bordo pélvico. Adicionalmente existia uma zona heterogênea estendendo desde a parede esquerda pélvica até ao útero, envolvendo os vasos internos e externos do ilíaco. Uma ressonância magnética confirmou os exames prévios. E um ultrassom renal concordante mostrou que não existia passagem no ureter esquerdo.

Dois meses mais tarde, a aplicação de outro stent no ureter não apresentou melhoras na hidronefrose esquerda. A paciente chegou na nossa clínica com dor crescente e inchaço no lado esquerdo inferior enquanto estava fazendo tratamento com heparin, o que levou a um tratamento laparoscópico para endometriose. No intra-operatório foram encontradas evidências de endometriose extensa, envolvendo o ilíaco esquerdo comum, ilíaco interno, vasos externos do ilíaco, plexo hipogástrico superior e inferior, e estreitamento do ureter distal por endometriose extrínseca.

Uma laparoscopia cuidadosa mas completa com ressecção de toda a endometriose visível foi levada a cabo com uma nefrectomia. Uma tal intervenção cirúrgica foi efetuada com base na dor persistente, infeções recorrentes do trato urinário, e a fraca probabilidade de que qualquer intervenção poderia resultar no restabelecimento da função renal.

A patologia mostrou endometriose espalhada e pielonefrite obstrutiva crônica (nota do tradutor: tipo de infeção do aparelho urinário) do rim esquerdo. Ela recuperou bem e conseguiu ter filhos naturalmente após a intervenção cirúrgica.

5 comentários:

  1. Eu tive hidronefrose no rim direito... Já tinha feito histerectomia e, seis meses depois, tive que retirar o rim direito! Um susto! Nunca imaginei passar por isto...

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  2. ESTOU COM ENDOMETRIOSE NO RIM DIREITO,E JÁ FIZ HISTERECTOMIA,SINTO FORTES NO RIM DIREITO,E ME INDICARAM FAZER REPÓSIÇÃO HORMONAL ,TENDO DITO QUE JÁ FAÇO E TOMO TIBOLONA 2,5 NÃO SEI SE VAI RESOLVER JÁ TOMO ESSE MEDICAMENTO A 9 MESES,ESTOU COM MEDO...PRECISO DE UMA SEGUNDA OPINIÃO.POR FAVOR ME AJUDEM.

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  3. Fui diagnosticada com síndrome nefrótica mas a anos tenho endometriose agora a nefro disse q meus rins estão normais pelo exame d urina de 24 horas mas faz 5 anos q tenho edemas pelo corpo todo minha menstruação e irregular foi um milagre ter minha filha foi gravidez d risco e hoje a 5 anos q só urino com lasix e higroton o que faço pra descobrir se a endometriose pode ser a causa dos meus rins estarem assim ??meus tornozelos nunca desincham e o abdômen também chego a fazer apenas um litro ou menos d urina por dia.por favor me ajudem!!!

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  4. Fui diagnosticada com síndrome nefrótica mas a anos tenho endometriose agora a nefro disse q meus rins estão normais pelo exame d urina de 24 horas mas faz 5 anos q tenho edemas pelo corpo todo minha menstruação e irregular foi um milagre ter minha filha foi gravidez d risco e hoje a 5 anos q só urino com lasix e higroton o que faço pra descobrir se a endometriose pode ser a causa dos meus rins estarem assim ??meus tornozelos nunca desincham e o abdômen também chego a fazer apenas um litro ou menos d urina por dia.por favor me ajudem!!!

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  5. Tenho sofrido há um bom tempo com infecções do trato urinário,hidronefrose e retenção urinária no ciclo menstrual.Não tive um diagnóstico preciso, os urologistas me prescreveram sonda urinária a cada 6 horas porque urino pouco, infelizmente não conseguir seguir esse tratamento por conta de intensas dores na uretra que é bastante estreita,então chego ao ponto de não urinar nada. É uma situação horrível! O nefro alertou que posso perder minha função renal.

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