segunda-feira, 6 de outubro de 2014

"SAÚDE & BEM-ESTAR": AS DISFUNÇÕES MUSCULARES, DENTRE ELAS, A DISPAREUNIA E SEUS TRATAMENTOS!!

Na coluna "Saúde & Bem-estar", a fisioterapeuta Ana Paula Bispo fala sobre as disfunções osteomusculares, entre elas, a dispareunia, a dor durante e ou após a relação sexual. Infelizmente, muitas portadoras de endometriose conhecem muito bem esta consequência que, além de causar dor, traz às mulheres uma impotência muito grande pelo fato de muitas.  Ela explica os tipos de dispareunia, os tratamentos, como as disfunções musculares e as alterações musculoesqueléticas podem também afetar e agravar os músculos do assoalho pélvico, os músculos da vagina. Este texto vai ajudar muitas endomulheres e também muitos endomaridos a entenderem melhor como a doença e o diagnóstico demorado podem agravar ainda mais os músculos de quem sofre com a endometriose. 

A partir de meus relatos, o A Endometriose e Eu foi o pioneiro no Brasil a falar abertamente sobre a dor durante e após o sexo. Segue aqui os principais textos (têm muitos outros) que relatei essa minha consequência da endo (dispareunia 1, dispareunia 2, dispareunia 3), inclusive, meu tratamento, escrito pela fisioterapeuta Ana Paula Bispo. Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

Por doutora Ana Paula Bispo 

As disfunções oesteomusculares - a dispareunia e seus tratamentos

O tempo entre o início dos sintomas e diagnóstico e tratamento da endometriose é de cerca de oito anos. Durante este período de tempo, a mulher permanece com a queixa dolorosa sem diagnóstico o que pode ocasionar inúmeras alterações secundárias à doença como disfunções osteomusculares e emocionais.

Dentre estas alterações, destacam-se as do sistema osteomuscular que podem causar, agravar ou perpetuar os sintomas da dor. Disfunções da musculatura perineal ou das articulações sacro-ilíacas e seus ligamentos também podem ser causa de dor, já que podem ter irradiação para a vagina e ou períneo.       

Além dos sintomas clássicos da doença, alterações musculoesqueléticas, devido à postura antálgica por tempo prolongado adotada pelas mulheres podem estar presentes. Esses padrões de desequilíbrio muscular podem exercer força de alongamento constante sobre os músculos do assoalho pélvico (músculos da vagina), levando a flacidez (relaxamento) que pode exacerbar ou perpetuar a dispareunia, mesmo após o tratamento da doença de base. Este fato se justifica já que a tentativa de ajuste do corpo para aliviar a dor, que leva às alterações no alinhamento da pelve, do quadril e dos membros inferiores, ocasiona danos fisiológicos e, consequentemente, alteração na função dos músculos do assoalho pélvico, interferindo na fisiologia da pelve.

Alterações nos músculos do assoalho pélvico podem ocasionar a dispareunia que é a dor durante ou após a relação sexual. A dispareunia pode ser subdividida em dois tipos: a dispareunia superficial, de entrada ou de introito, e a dispareunia profunda ou de profundidade, com diferentes etiologias.

Em mulheres com endometriose, principalmente, a endometriose profunda não é infrequente encontrarmos a dispareunia de profundidade que pode ser resultante da distensão e inflamação de tecidos pélvicos, como útero em retroversão fixa, pressão exercida em ovários, ligamentos úterossacros ou região retrocervical afetados pela doença. A dor também pode acorrer após a relação sexual, denominada dispareunia tardia. Em razão da dispareunia estas pacientes sentem uma diminuição importante da satisfação sexual e, em alguns casos, optam pela abstinência sexual.

Fisioterapeutas especializados podem utilizar diversas modalidades terapêuticas para tratar as pacientes com alterações posturais e alterações nos músculos do assoalho pélvico decorrentes da endometriose e da DPC (dor pélvica crônica). O objetivo principal do tratamento é a melhora do padrão postural, normalização do tônus muscular, aumento da consciência e propriocepção da musculatura do assoalho pélvico, dessensibilização dos pontos dolorosos na vagina. A liberação miofascial é um dos tratamentos utilizados para a melhora do padrão postural e da dor, pois promove a liberação das restrições das camadas profundas da fáscia, favorecendo estiramento de interligações fibrosas e trocas de viscosidade das camadas miofasciais de um músculo sobre outro.

Visando a normalização do tônus muscular e dessensibilização dos pontos dolorosos dos músculos do assoalho pélvico, a massagem perineal que consiste na introdução de um dedo na vagina e, realização de  movimentos para trás e para e para frente, de um lado para o outro por cima dos músculos elevadores do ânus e obturadores internos, pode ser indicada.

Desta forma, será possível reduzir o quadro álgico dessas pacientes a fim de que elas possam desfrutar de uma melhor qualidade de vida e satisfação sexual.

Sobre a fisioterapeuta Ana Paula Bispo:

Ana Paula Bispo é fisioterapeuta, atualmente faz doutorado em Urologia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é mestre em Ginecologia pela Unifesp, mesma instituição que fez especialização em Reabilitação do Assoalho Pélvico, e docente do curso  de Pós Graduação de Fisioterapia em Uroginecologia da Universidade Estácio de Sá. Siga a fanpage da doutora Ana Paula Bispo.

Um comentário:

  1. Olá, meu nome é Marcelo Kantelle. Eu e minha esposa estamos num tratamento de endo. Nosso médico receitou dois medicamentos em uso concomitante (Allurene+Zoladex10.8 [1 dose]). Gostaria de saber se esse procedimento é comum para o tratamento. Minha preocupação é a carga de hormônios que será aplicada e os efeitos colaterais dos dois medicamentos em conjunto.
    Desde já, agradeço!

    PS: Peço desculpas por não estar comentando sobre o assunto específico desse artigo.

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