domingo, 7 de agosto de 2016

SAÚDE E PRESERVAÇÃO DOS ÓVULOS: QUANDO E PORQUE CONVERSAR COM SEU GINECOLOGISTA SOBRE ELES?

imagem cedida por Free Digital Photos

Com a vida moderna, a mulher passou a ocupar lugar de destaque no mercado de trabalho e começou a postergar o desejo de ter filhos. Infelizmente nós, mulheres, não somos como os homens, que pode ter filhos com qualquer idade. Infelizmente quando falam do nosso relógio biológico, não está somente a questão da idade pós 30 anos, mas a questão da qualidade e da quantidade de óvulos, que diminuem com o passar dos anos, tendo o auge do declínio da produção após 35 anos. Por isso se a mulher pretende ter filhos mais tarde, é muito importante conversar com o ginecologista sobre a Criopreservação dos óvulos. A ginecologista e especialista em endometriose doutora Graciela Morgado explica porque é importante e quando devemos conversar com nosso ginecologista sobre a saúde dos nossos óvulos. Você já fez algum exame para saber sobre sua reserva ovariana? Quem já fez cirurgias abertas, como a tipo cesárea, ou retirada de endometrioma, por exemplo, poderá ter uma reserva menor que aquelas que nunca fizeram essas cirurgias. Esse era o meu caso. Eu já tinha feito duas cirurgias abertas - uma para retirada do apêndice e uma laparotomia para retirada de cisto - e duas videolaparoscopias, e quando fiz o exame antimulleriano, aos 35 anos, minha reserva estava super baixa. Mesmo em cirurgias longe dos ovários poderá haver uma perda da reserva ovariana. Leia o texto e saiba importante saber e cuidar da reserva ovariana muito antes de ter filhos. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

Por doutora Graciela Morgado
Edição: Caroline Salazar

Por que e quando devemos conversar com o ginecologista sobre a saúde de seus óvulos?

Já é sabido por todos nós que a reserva ovariana diminui com a idade, especialmente depois de 35 anos. Calcula-se que, no nascimento, o número total de óvulos varie entre 700 mil a 7 milhões. Durante a infância, a maioria dos óvulos torna-se atróficos, ou seja, param seu desenvolvimento. Na puberdade somente cerca de 400 mil estarão presentes, e destes, menos de 500 serão ovulados.

Enquanto muitas mulheres optavam por ter filhos mais tarde, a tecnologia de preservação de oócitos (óvulos) melhorou e foi reconhecida como técnica não experimental em 2012 pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva. 

Muitas mulheres que vão regularmente ao ginecologista desconhecem o declínio da reserva ovariana com o avançar da idade. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), um em cada oito casais vão ter dificuldade em engravidar ou manter uma gravidez.  Um estudo realizado em 2014 biopsiaram 15.000 embriões  e demostrou uma taxa de 75 a 100% de embriões com aneuploidia (nota da editora: uma alteração genética que leva ao número anormal dos cromossomos, onde poderá haver potencial  riscos de síndromes, como a Síndrome de Down, por exemplo) em mulheres com idade superior a 42 anos, em comparação com as mulheres entre 26 - 30 anos, onde de 20%  a 27% dos embriões eram aneuplóides .

Em um esforço para entender melhor a população de sexo feminino e os seus objetivos de planeamento familiar, o Centro de Fertilização de Illinois, nos Estados Unidos, realizaram  uma pesquisa nacional online com 1.208 mulheres nulíparas (nota da editora: mulher que nunca engravidou) e demonstrou-se:

  • 51% das mulheres gostariam de ter filhos algum dia; 
  • 89% das entrevistadas concordaram que a orientação sobre a fertilidade feminina deveria ser mencionada em consultas de rotina com o ginecologista; 
  • 52% das mulheres acima de 35 anos declararam que teria feito escolhas diferentes se soubessem sobre o declínio da fertilidade relacionada com a idade.
Portanto, é imprescindível para as pacientes acima de 30 anos compartilharem a opção de preservação da fertilidade  (por meio da Criopreservação dos Oócitos) com seus ginecologistas, além da necessidade destas pacientes de analisarem e amadurecem a ideia de suas escolhas reprodutivas, mais cedo ou mais tarde.

As mulheres que realizam a preservação da fertilidade através da Criopreservação de oócito têm menor chance de aneuploidia, menor chance de abortamento e maior taxa de gravidez se utilizar os seus óvulos congelados (com idade até 35 anos) do que realizar tratamento de FIV em idade avançada (após os 37 anos, por exemplo).

O que é a Criopreservação de óvulos:

A mulher a submetida à estimulação ovariana por meio de injeções subcutâneas (na barriga) com controle ultrassonográfico do crescimento destes folículos. Dentro dos folículos encontram-se os óvulos. Quando o crescimento folicular atinge um tamanho determinado, a mulher é submetida à coleta destes óvulos sob anestesia. Estes óvulos são encaminhados ao laboratório para congelamento rápido, isto é a criopreservação de óvulos. O procedimento é indolor e todo o tratamento dura cerca de 14 dias.


Sobre a doutora Graciela Morgado Folador:


Ginecologista e obstetra, Graciela Morgado Folador tem Pós-graduação em Endometriose, em Cirurgia Minimamente Invasiva, em Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida e Especialização em Vídeo-histeroscopia. É membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE) e da Advancing Minimally Invasive Gynecology Wordwide (AAGL). É médica-colaboradora do setor de Endometriose do Hospital das Clínicas de São Paulo, USP. Siga a fanpage da doutora Graciela

Um comentário:

  1. É muito complicado e nem sempre os ginecologistas dão a atenção que esperamos quando questionamos sobre isso.

    ResponderExcluir