domingo, 4 de junho de 2017

"SAÚDE E BEM-ESTAR": DISPAREUNIA - O QUE É E COMO TRATAR A DOR DURANTE AS RELAÇÕES SEXUAIS!

imagem cedida por Free Digital Photos



Por meio dos meus relatos pessoais por conta de um grave sintoma da endometriose, a dispareunia, o A Endometriose e Eu quebrou paradigma e foi o primeiro blog a descrever nua e crua as dores durante o ato sexual. O começo não é a dor precisamente dita, mas um desconforto que vai aumentando, aumentando até a mulher não conseguir sentir prazer num ato que deve ser apenas de puro prazer: o sexo. Já escrevi inúmeros artigos no blog sobre o tema, bem como o tratamento que fiz para melhorar a minha dispareunia que tinha nome e sobrenome: de profundidade. A pior das dispareunias. O tratamento foi longo, demorado, mas valeu muito a pena. Foram mais de dois anos de fisioterapia uroginecológica. Para falar um pouco mais sobre esse problema que atinge muitas mulheres (portadoras e não portadoras) convidei a fisioterapeuta Ana Paula Bispo, que na época participou do meu tratamento. A dispareunia tem tratamento e cura. Cabe ao seu especialista diagnosticar e te encaminhar a um profissional especializado para te tratar. Compartilhe mais um texto exclusivo A Endometriose e Eu. Beijo carinhoso! Caroline Salazar 

Por doutora Ana Paula Bispo
Edição: Caroline Salazar

Dispareunia - o que é e os tratamentos para a dor durante e após as relações sexuais


Mulheres com endometriose possuem alterações musculoesqueléticas que expressam-se frequentemente em desvios posturais, afecções musculares, articulares e ligamentares que afetam a região da pelve, quadril e membros inferiores, podendo provocar também alterações nos músculos do assoalho pélvico, ocasionando a dispareunia.

A dispareunia é definida como uma dor genital recorrente ou persistente associada com o intercurso sexual, que pode ser subdividida em: superficial, de entrada ou de intróito e dispareunia profunda ou de profundidade, com diferentes etiologias. A dor também pode ocorrer após a relação sexual, denominada dispareunia tardia.

Entre as causas de dispareunia superficial podemos destacar a hormonal, inflamatória, neurológica, psiquiátrica, gastrointestinal, vascular, anatômica e muscular (espasmos e pontos-gatilhos), que são alterações no estado de tensão muscular, que normalmente estão aumentados e provocam dor.

Em mulheres com endometriose profunda é comum encontrarmos a dispareunia de profundidade que pode ser resultante da distensão e inflamação de tecidos pélvicos, como útero em retroversão fixa, pressão exercida em ovários, ligamentos úterossacros ou região retrocervical afetados pela doença. Em razão da dispareunia estas mulheres sentem uma diminuição importante da satisfação sexual e, em alguns casos optam pela abstinência sexual.

Dependendo da queixa, a fisioterapia empregará os recursos comumente utilizados na prática da uroginecologia, objetivando a normalização da mobilidade da pelve e do tônus dos músculos pélvicos, em especial do assoalho pélvico. Basicamente, os recursos comumente utilizados no tratamento da dispareunia são a cinesioterapia, eletroterapia, biofeedback e massagem perineal.

A massagem perineal consiste na introdução de um ou dois dedos a três ou quatro centímetros na vagina, aplicando e mantendo uma pressão primeiramente na parte muscular da parede posterior da vagina e depois de cada lado da entrada vaginal. É realizado também movimentos para trás e para e para frente nos músculos, assim quando um ponto-gatilho e/ou espasmo muscular é identificado realiza-se uma pressão no local.

Como a dispareunia é uma queixa frequente nas portadoras de endometriose, é muito importante uma avaliação criteriosa dos músculos do assoalho pélvico por um fisioterapeuta pélvico afim de que a identificação destas alterações permita uma abordagem específica à musculatura somado ao tratamento da doença de base, visando melhor taxa de sucesso e melhora da qualidade de vida e sexual dessas mulheres.

      Sobre a fisioterapeuta Ana Paula Bispo:


Ana Paula Bispo é fisioterapeuta, atualmente faz doutorado em Urologia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é mestre em Ginecologia pela Unifesp, mesma instituição que fez especialização em Reabilitação do Assoalho Pélvico, e docente do curso  de Pós Graduação de Fisioterapia em Uroginecologia da Universidade Estácio de Sá. Siga a fanpage da doutora Ana Paula Bispo.

2 comentários:

  1. O antioncepcinal pode ter haver com esses sintomas citados? eu sinto muita dor no pé da barriga depois da relaçao sexual e me dá muita vontade de fazer cocô quando sinto essa dor, e fico um tempao no banheiro me da calafrios e depois calor de tanta dor q sinto.

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  2. Boa tarde! Tenho 21 anos e suspeita de endometriose, desde os 15, mas nenhum médico do convênio levou a sério. Apenas diziam que todos os meus sintomas batiam e que tinha que tomar anticoncepcional para melhorar.
    Seu blog me ajudou muito a entender a condição que me encontro.
    Gostaria de saber como você conseguiu consultas na Unifesp. Perdi o convênio e estou procurando lugares no Sus que entendam da doença.
    Obrigada por todo o seu trabalho, beijos!

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