segunda-feira, 29 de agosto de 2016

COMO A DOR DA ENDOMETRIOSE AFETA O PSICOLÓGICO DE UMA MULHER?

imagem cedida por Free Digital Photos
Por Caroline Salazar
Edição: doutor Alysson Zanatta


Como a dor da endometriose afeta o psicológico de uma mulher?

Já falamos no blog sobre o perfil psicológico de uma portadora de endometriose escrito pela psicóloga Ana Rosa Detílio Mônaco, mas numa enquete na fanpage doblog muitas leitoras pediram para falar sobre como a endometriose afeta nosso emocional. Como portadora da doença e como aquela que sofreu 21 anos com as dores severas - 18 deles sem saber o que eu tinha - vou falar como é viver 24 horas do dia com dores. Eu vivi assim por muitos e muitos anos e é assim que vivem muitas das 10 milhões de portadoras brasileiras. E que dores são essas? Elas começam com uma cólica no período menstrual – podem ser como pontadas de facas, agulhadas, cortante, dilacerante - e vai aumentando, aumentando até chegar a tomar conta da nossa vida, mesmo nos dias fora da menstruação. Com o tempo vão surgindo outras dores, nas pernas, na lombar, até um momento em que tudo no nosso corpo dói. Dói para urinar, para evacuar, para transar, ou seja, nossa vida se transforma num pesadelo de dores. E aí quem tem dor sempre está com um semblante estranho, mais triste, e é aí que as pessoas que convivem conosco começam a perguntar: “Nossa o que você tem que está com esta cara?”.

Quando a mulher ainda não tem o diagnóstico, a gente fala o que: que estamos com dor, e como não sabemos de onde vem a dor tem momentos que pensamos que estamos loucas. Se tiver o diagnóstico somos sempre aquela que está com dores, que é fraca ao ponto de não aguentar uma cólica, que é preguiçosa e por aí vai... A outra pessoa não pensa que dentro daquela mulher que sofre tem um sentimento, que corre sangue, que é um ser humano. Como fica o nosso psicológico, o nosso estado emocional? Péssimo! E péssimo em vários sentidos, pois como a outra pessoa não sabe o que é viver com dores incapacitantes e acha que a endometriose é uma doença que se dá apenas quando a mulher está menstruada, recebemos desprezo e xingamentos. Acham que a doença é frescura, temos de temos de escutar baboseiras do tipo: engravida que passa, quando casar melhora, mulher tem de sofrer mesmo...

Sentir dores diariamente pode nos deixar em depressão. Aliada à incompreensão das pessoas também podem nos levar à depressão, e eu passei por isso. A endometriose é uma doença que afeta a mulher num todo. Muitas vezes não conseguimos levantar da cama. Ter dores por todo o corpo afeta nossa qualidade de vida, nos deixa muito nervosa, impaciente. Muitas endomulheres não conseguem viver sua vida profissional, muito menos a pessoal e isso é muito grave. Quem quer viver numa cama? Quem não quer trabalhar? Quem não quer estudar? Quem não quer namorar? Quem não quer sair com os amigos? Tudo isso, coisas comuns do nosso dia a dia, são roubadas pela endometriose.

Tudo isso mexe muito com nossa cabeça, muitas não têm mais ânimo para a vida e até pensam em morrer. Muitas chegam a cometer algo contra sua própria vida. É uma fase difícil e precisamos ser muito fortes para superar, mas acredite: você irá superar assim como superei. Em primeiro lugar acredite no que você sente e busque ajuda especializada. Não ouça terceiros, deixe-os falar, mas se escutar não alimente isso dentro de você. Sim, você tem um problema muito sério, em muitos casos não será na primeira cirurgia que você ficará sem dor, talvez, nem na segunda. Então, mesmo após a cirurgia você poderá continuar com dores. Retirar os ovários e o útero não significa que você ficará livre da doença. Se ficar algum foco no seu corpo, mesmo sem os ovários a doença poderá continuar e aumentar dentro do seu corpo.

Manter mente sã quando estamos diante da dor e da ignorância humana é muito difícil. Eu sei disso, mas se eu consegui você vai conseguir também. O meio estressante o qual uma endomulher vive também influência e muito em suas dores. Nosso estado emocional afeta muito a qualidade não só da nossa vida, mas das dores também. Sempre que possível procure fazer algo que te dê prazer.  Procure espairecer, mesmo que seja sozinha. Eu saía muito para caminhar sozinha, principalmente, quando vivia momentos de tensão, seja de dor ou de incompreensão das pessoas. Eu realmente aprendi a viver comigo mesma. Comigo e com Deus, pois saiba que Ele nunca nos desampara e que Ele vê tudo.

Outro fator muito importante é o médico especialista entender e tratar sua paciente como um todo, não apenas a doença ou o órgão afetado. Quantas e quantas vezes eu chorei no consultório do meu. Ninguém me entendia, eu parecia uma E.T. no mundo, mas ali eu tinha alguém que compreendia o que eu passava. Ter um profissional que te escute, que entenda seu sofrimento ajuda a melhorar nossa autoestima, o nosso psicológico e a entender melhor sobre a doença. Se você precisar de ajuda psicológica não hesite em procurar ajuda, mas ache um profissional que entenda sobre a doença.

Não é fácil viver com dores incapacitantes, postergar planos, ter um corpo inchado por conta das altas doses de medicamentos para conter as dores. Não é fácil viver e conviver com a endometriose. Por isso você, endomulher, tem de acreditar naquilo que você sente. Cada endometriose é de um jeito, cada organismo reage de um jeito, mas você tem de ser forte para reagir sobre a sua vida e não esmorecer até o fim da batalha. Quem vive com as dores da endometriose enfrenta uma guerra diariamente. Somos guerreiras por natureza. Acredite em você! Eu acredito em você. Beijo carinhoso!! 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

"COM A PALAVRA, O ESPECIALISTA" DOUTOR HÉLIO SATO!!

Neste mês em “Com a Palavra, o Especialista”, o doutor Hélio Sato fala a respeito do Zika vírus. Recebi muitas perguntas sobre o tema e vamos abordá-lo, pela primeira vez, no A Endometriose e Eu. Além de explicar a relação do vírus com a microcefalia, o doutor Hélio dá dicas de como uma gestante poderá se prevenir deste vírus.  A segunda questão vem de um endomarido gaúcho. Ele quer saber por que sua esposa continua com o inchaço abdominal mesmo após a videolaparoscopia. Infelizmente muitas endomulheres sofrem com a distensão abdominal, que é um dos sintomas da endometriose. Porém é preciso analisar se esse inchaço vem após ingerir alguns alimentos. Já abordamos este tema no blog, numa tradução da doutora Danielle Cook "O que as bactérias do seu intestino têm a ver com o inchaço abdominal?".  Eu tinha muito inchaço abdominal, mas o que causava isso eram as aderências das minhas alças intestinais, que graças a Deus foram todas removidas na minha segunda e última cirurgia, em 2012. Desde então, não tenho mais nada! O doutor Hélio explica porque isso acontece. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

- Qual a relação do Zika vírus e a microcefalia? Como prevenir uma mulher grávida deste vírus?

Doutor Hélio Sato: Muito embora o Zika vírus tenha sido isolado pela primeira vez em 1947, as pesquisas sobre sua ação, sua manifestação e outras características do vírus são datadas mais recentemente, pois, tornou-se relevante após as evidências da associação com a microcefalia em 2015. Portanto, muitas informações sobre esta infecção estão incompletas. Dentre estas dúvidas, as razões pela qual o vírus causa a microcefalia ainda estão indefinidas. Porém, sustenta-se que o risco do bebê desenvolver a microcefalia é maior quando a infecção ocorre no primeiro trimestre da gestação e estima-se que a microcefalia ocorre entre 1% a 22% das gestantes que tiveram a infecção pelo Zika. E alguns pesquisadores apontaram que alguns fatores aumentam o risco da microcefalia em caso de infecção durante a gravidez, tais como: a alta taxa de açúcar no sangue, a baixa de vitamina D, consumo de álcool e tabagismo. Portanto, além dos cuidados do uso de repelentes, evitar os criadouros do mosquito, não ir a locais com maior incidência da infecção anteriormente e durante a gravidez e outros, como o cuidado com a dieta, parar de fumar e uso de vitamina D auxiliam na prevenção da microcefalia.

- Oi Caroline, sou um endomarido e gostaria que o doutor Sato respondesse algumas dúvidas: mesmo depois da vídeolaparoscopia minha esposa continua com muitos inchaços na barriga e as dores, que agora só ocorrem durante ou imediatamente depois desses inchaços. Gostaria de saber por que ocorrem esses inchaços e o que podemos fazer quando eles ocorrem e também se há alguma posição que ela pode ficar para aliviar as dores. P.S. - Rio Grande do Sul.


Doutor Hélio Sato: A maioria das vezes a distensão (inchaço) súbito do abdômen decorre do acúmulo de gases dentro dos intestinos e, muitas vezes, são desconfortáveis mesmo. Deste modo, consideraria reavaliar se não há alguma intolerância alimentar que leve a acúmulo dos gases ou mudança da dieta para auxiliar a eliminação. E, sugiro conversar com o médico que fez a laparoscopia, para ele dizer se foi ou não observado alguma aderência que pudesse limitar a movimentação plena do intestino.


Sobre o doutor Hélio Sato: 

Ginecologista e obstetra, Hélio Sato é especializado e endometriose, em laparoscopia e em reprodução humana. Tem graduação em Medicina, Residência Médica, Preceptoria, Mestrado e Doutorado em Ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), e foi corresponsável do Setor de Algia Pélvica e Endometriose da mesma instituição. 


Hélio Sato tem certificado em Laparoscopia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e de Obstetrícia. É membro da AAGL “American Society of Gynecology Laparoscopy” e é coordenador de pesquisas da clínica de reprodução humana GERA e está à frente nas seguintes linhas de pesquisas: endometriose, biologia celular e molecular, cultura celular, polimorfismo gênico e reprodução humana. (Acesse o currículo Lattes do doutor Hélio Sato). 


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

"ENDODICAS": SEIS DICAS BÁSICAS DE COMO DIMINUIR A RETENÇÃO DE LÍQUIDO!



Por Caroline Salazar

O uso de medicamentos fortes aliado ao sedentarismo, por conta das fortes dores que sentimos, faz com que nosso corpo passe a reter mais líquido que o normal. Isso é sentido, principalmente, para aquelas que moram em regiões quentes. Não sei como vocês, mas comigo é só o tempo ficar mais quente que percebo que incho um pouco. Isso tem uma explicação: nos dias mais quentes há um aumento no volume dos nossos vasos sanguíneos por conta da dilatação dos mesmos, por isso inchamos tanto. Sem contar a TPM, a menstruação e outras coisitas a mais por ser mulher, né? Listo para vocês seis dicas de como diminuir a retenção de líquido.

- Beba muita água – a água é um bem que Deus nos deu e que estamos deixando esse bem ir embora. Lembro bem da paixão da minha avó pela água, afinal, se estamos com sede é que ela mata, se estamos com calor é um bom banho que nos refresca, e com a retenção de líquido não é diferente. Uma das melhores maneiras de combater o inchaço é beber muita água. A hidratação ajuda a eliminar o líquido acumulado por meio da urina. Segundo especialistas é recomendado ingerir 35ml por quilo ao dia.

- Alimentos que desincham – invista em alimentos que ajudam a desinchar. Dentre eles estão as frutas e os vegetais. A inclusão de grãos na alimentação e carnes magras ajudam a diminuir o inchaço abdominal (tudo que queremos, não é mesmo?).  Em relação às frutas, o mamão ajuda no funcionamento dos intestinos. Já a melancia, o melão e o abacaxi são ótimos diuréticos e auxiliam na prisão de ventre, a eliminar os gases, e consequentemente, o inchaço. A banana também é uma ótima pedida, pois ajuda a eliminar o sódio do nosso organismo. Eu amo banana, mamão, melancia... Já os vegetais, os principais que ajudam no sistema digestivo e intestinal são: abóbora cabotchian, chuchu, abobrinha, cenoura, tomate, couve-flor, brócolis e berinjela são indicados, além de folhas como alface, repolho, couve e espinafre. 

- Sal – o sal é o grande vilão da retenção de líquido. O ideal era não ingerirmos nada de mais, mas quem aguenta? Diminuir o sal já é um bom começo para atenuar a retenção de líquido. Quando diminuímos o sal a gente passa a sentir mais o gosto dos alimentos, em especial, das verduras e dos legumes.

- Atividade física – praticar atividade física faz um bem danado ao nosso corpo e ajuda no combate da retenção de líquido. Sei que muitas endomulheres não conseguem se mexer muito por conta da dor, mas quando falamos em atividade física vale aquela caminhadinha pelo bairro. Se exercitar, independente - de onde e da forma -, ajuda não só a aliviar a retenção de líquido, mas melhora nosso humor, nossa autoestima e nos dá aquele up, já que queimamos calorias. Pense nisso! Eu comecei a me exercitar há dois meses e os benefícios já estão visíveis. Meu abdômen já diminuiu bastante, minhas pernas já estão mais tonificadas e minha autoestima está nas alturas. Sem contar o mais importante: a diminuição das minhas dores musculares. Se antes eu precisava tomar relaxante muscular, hoje não os tomo mais.

- Massagem ou drenagem linfática – fiz muita drenagem na gravidez e me ajudou muito na retenção de líquido. Além de relaxar nossa musculatura tanto a massagem quanto a drenagem são grandes aliadas para aliviar a retenção de líquido. Atualmente por questões financeiras não consigo mais fazer, mas achei no site da Boa Forma uma autodrenagem, que a gente mesmo faz, coloco no final do texto para quem quiser testar.

- Chás – invista em chás que têm o poder de ajudar na retenção de líquido, como o chá amarelo, o de hibisco e o de hortelã, por exemplo. Acrescentar gengibre, cravo e canela, que têm ação termogênica, ajuda a acelerar nosso metabolismo, o que faz perder calorias. Ultimamente tenho tomado o de hibisco, que ajuda na perda da gordura abdominal, mas peço que sempre pergunte ao seu médico, pois li que este chá pode prejudicar a fertilidade. Então, para quem quer engravidar o chá de hibisco não é uma boa pedida.

Autodrenagem Boa Forma:

- Sentada, deslize algumas vezes as mãos umedecidas em creme do tornozelo até o joelho.
- Em pé, repita várias vezes o mesmo movimento do joelho até a virilha, dando atenção especial à parte interna da coxa. 
- Com um braço estendido à frente, escorregue a mão oposta aberta desde o cotovelo até a axila, passando por toda a circunferência do braço. 
- Deslize as mãos (uma sobre a outra) fazendo círculos pequenos em sentido horário em torno do umbigo. Faça a massagem após o banho. 

Espero que ajude! Beijo carinhoso!!

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

PUBLIEDITORIAL: VOCÊ SABIA QUE A DOR NO SEXO IMPACTA A VIDA DE CERCA DE 50% DAS PORTADORAS DE ENDOMETRIOSE!!




Por Caroline Salazar

Uma a cada 10 mulheres tem endometriose. A endometriose é uma doença muito séria, e como qualquer outra é preciso ser tratada com especialista que realmente entende. De acordo com pesquisas realizadas, a atividade sexual é uma das mais prejudicadas, já que a dispareunia, a dor durante e após as relações, é um sintoma predominante em muitas endomulheres. Cerca de 50% das portadoras têm sua vida sexual impactada pela doença. Infelizmente muitos casamentos são desfeitos por conta da dispareunia. Já falamos muito de dispareunia no blog. 

O correto tratamento da endometriose pode mudar a qualidade de vida daquela mulher que sofre com as dores severas da doença, seja a cólica forte ou a dispareunia. Para aquelas que não querem ou que não podem realizar o tratamento invasivo da videolaparoscopia, há no mercado novas drogas que minimizam os sintomas da doença. Dentre elas está o Alurax, da Momenta Farmacêutica, o dienogeste que você já conhece, mas com 30 comprimidos e com o melhor custo benefício – o concorrente custa 82% mais caro. Segundo especialistas o dienogeste 2mg reduz a dor logo no primeiro mês, com diminuição progressiva nas próximas 24 semanas de uso. 

Nos últimos meses a Drogasil e a Drogaria São Paulo, ambas online, estão vendendo o Alurax ainda mais barato, seguem os links: http://www.drogariasaopaulo.com.br/alurax-dienogeste-2mg-momenta-30-comprimidos-revestidos/p e http://www.drogasil.com.br/alurax-2-mg-30-comprimidos.html

O Alurax é fabricado pela Momenta Farmacêutica. Uma das missões da Momenta é justamente "promover o acesso à saúde e à qualidade de vida com tratamentos a preço justo”. Com cerca de três anos de atuação, a Momenta tem qualidade garantida e já é reconhecida pela comunidade médica, pelos farmacêuticos e pelos farmacistas. Converse com seu especialista em endometriose a respeito do Alurax. Vale lembrar que todo medicamento deve ser prescrito pelo seu especialista. Não tome nenhum remédio sem o consentimento de seu médico.

Se você tiver dificuldade de encontrar o Alurax em sua cidade, vou deixar o telefone do SAC para você saber quando ele estará disponível na farmácia mais próxima de sua casa: 0800 703 1550 ou se preferir envie email para central@momentafarma.com.br.  

domingo, 7 de agosto de 2016

SAÚDE E PRESERVAÇÃO DOS ÓVULOS: QUANDO E PORQUE CONVERSAR COM SEU GINECOLOGISTA SOBRE ELES?

imagem cedida por Free Digital Photos

Com a vida moderna, a mulher passou a ocupar lugar de destaque no mercado de trabalho e começou a postergar o desejo de ter filhos. Infelizmente nós, mulheres, não somos como os homens, que pode ter filhos com qualquer idade. Infelizmente quando falam do nosso relógio biológico, não está somente a questão da idade pós 30 anos, mas a questão da qualidade e da quantidade de óvulos, que diminuem com o passar dos anos, tendo o auge do declínio da produção após 35 anos. Por isso se a mulher pretende ter filhos mais tarde, é muito importante conversar com o ginecologista sobre a Criopreservação dos óvulos. A ginecologista e especialista em endometriose doutora Graciela Morgado explica porque é importante e quando devemos conversar com nosso ginecologista sobre a saúde dos nossos óvulos. Você já fez algum exame para saber sobre sua reserva ovariana? Quem já fez cirurgias abertas, como a tipo cesárea, ou retirada de endometrioma, por exemplo, poderá ter uma reserva menor que aquelas que nunca fizeram essas cirurgias. Esse era o meu caso. Eu já tinha feito duas cirurgias abertas - uma para retirada do apêndice e uma laparotomia para retirada de cisto - e duas videolaparoscopias, e quando fiz o exame antimulleriano, aos 35 anos, minha reserva estava super baixa. Mesmo em cirurgias longe dos ovários poderá haver uma perda da reserva ovariana. Leia o texto e saiba importante saber e cuidar da reserva ovariana muito antes de ter filhos. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

Por doutora Graciela Morgado
Edição: Caroline Salazar

Por que e quando devemos conversar com o ginecologista sobre a saúde de seus óvulos?

Já é sabido por todos nós que a reserva ovariana diminui com a idade, especialmente depois de 35 anos. Calcula-se que, no nascimento, o número total de óvulos varie entre 700 mil a 7 milhões. Durante a infância, a maioria dos óvulos torna-se atróficos, ou seja, param seu desenvolvimento. Na puberdade somente cerca de 400 mil estarão presentes, e destes, menos de 500 serão ovulados.

Enquanto muitas mulheres optavam por ter filhos mais tarde, a tecnologia de preservação de oócitos (óvulos) melhorou e foi reconhecida como técnica não experimental em 2012 pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva. 

Muitas mulheres que vão regularmente ao ginecologista desconhecem o declínio da reserva ovariana com o avançar da idade. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), um em cada oito casais vão ter dificuldade em engravidar ou manter uma gravidez.  Um estudo realizado em 2014 biopsiaram 15.000 embriões  e demostrou uma taxa de 75 a 100% de embriões com aneuploidia (nota da editora: uma alteração genética que leva ao número anormal dos cromossomos, onde poderá haver potencial  riscos de síndromes, como a Síndrome de Down, por exemplo) em mulheres com idade superior a 42 anos, em comparação com as mulheres entre 26 - 30 anos, onde de 20%  a 27% dos embriões eram aneuplóides .

Em um esforço para entender melhor a população de sexo feminino e os seus objetivos de planeamento familiar, o Centro de Fertilização de Illinois, nos Estados Unidos, realizaram  uma pesquisa nacional online com 1.208 mulheres nulíparas (nota da editora: mulher que nunca engravidou) e demonstrou-se:

  • 51% das mulheres gostariam de ter filhos algum dia; 
  • 89% das entrevistadas concordaram que a orientação sobre a fertilidade feminina deveria ser mencionada em consultas de rotina com o ginecologista; 
  • 52% das mulheres acima de 35 anos declararam que teria feito escolhas diferentes se soubessem sobre o declínio da fertilidade relacionada com a idade.
Portanto, é imprescindível para as pacientes acima de 30 anos compartilharem a opção de preservação da fertilidade  (por meio da Criopreservação dos Oócitos) com seus ginecologistas, além da necessidade destas pacientes de analisarem e amadurecem a ideia de suas escolhas reprodutivas, mais cedo ou mais tarde.

As mulheres que realizam a preservação da fertilidade através da Criopreservação de oócito têm menor chance de aneuploidia, menor chance de abortamento e maior taxa de gravidez se utilizar os seus óvulos congelados (com idade até 35 anos) do que realizar tratamento de FIV em idade avançada (após os 37 anos, por exemplo).

O que é a Criopreservação de óvulos:

A mulher a submetida à estimulação ovariana por meio de injeções subcutâneas (na barriga) com controle ultrassonográfico do crescimento destes folículos. Dentro dos folículos encontram-se os óvulos. Quando o crescimento folicular atinge um tamanho determinado, a mulher é submetida à coleta destes óvulos sob anestesia. Estes óvulos são encaminhados ao laboratório para congelamento rápido, isto é a criopreservação de óvulos. O procedimento é indolor e todo o tratamento dura cerca de 14 dias.


Sobre a doutora Graciela Morgado Folador:


Ginecologista e obstetra, Graciela Morgado Folador tem Pós-graduação em Endometriose, em Cirurgia Minimamente Invasiva, em Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida e Especialização em Vídeo-histeroscopia. É membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE) e da Advancing Minimally Invasive Gynecology Wordwide (AAGL). É médica-colaboradora do setor de Endometriose do Hospital das Clínicas de São Paulo, USP. Siga a fanpage da doutora Graciela

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

MEU RELATO SOBRE A AMAMENTAÇÃO DA MINHA FILHA, BÁRBARA, E A AMAMENTAÇÃO PROLONGADA!

Foto tirada no dia 1° de agosto de 2016, no dia mundial da amamentação

Por Caroline Salazar

Aproveitando o gancho da Semana Mundial da Amamentação 2016 (SMAM) quero deixar meu relato sobre minha experiência de amamentar. Minha princesa completou no último dia 4 de agosto 1 ano e 5 meses e até hoje, mesmo já se alimentando de comida desde seu primeiro ano de vida, ela mama no peito durante o dia. São de duas a quatro mamadas, depende do dia. Optei por amamentar em livre demanda, então, até hoje ela escolhe quando quer mamar. Ela toma mamadeira com complemento só à noite, mas desde que teve uma infecção urinária em julho, ela tem refutado a mamadeira e só quer o peito. Como mamãe de primeira viagem, nunca imaginei que chegaria tão longe na amamentação. Sou muito grata a Deus e à minha princesa por estes 17 meses de doação de muito amor líquido. Felizmente não tive nenhuma dificuldade no início, como bico rachado ou sangrando, pega incorreta. Somente aos 15 dias de vida, ela deu uma mordida no bico direito. Doeu pra burro, mas a pomada Lansinoh foi a salvação. Graças a Deus desde a primeira hora de vida minha princesa teve a pega correta e sempre foi esfomeada.

Há quem fale que quem faz cesárea não consegue amamentar muito, que o leite demora para descer. Optei pelo parto cesárea e continuo amamentando até hoje. Por conta disso ainda não menstruei. Minha última menstruação foi antes de engravidar, no dia 15 de junho de 201. Estou dois anos sem a monstra! Como o doutor Hélio Sato já falou em sua coluna (leia aqui) quando amamentamos há a produção de prolactina, que inibe a produção de estrogênio, hormônio que estimula os sintomas da endometriose. A chupeta também não atrapalhou a amamentação por aqui. Não é fácil. Infelizmente quem amamenta ainda sofre por ter de escutar frases de pessoas ignorantes, tais como, “seu leite é fraco”, “seu bebê está chorando de fome”, “dá complemento que é melhor”, e comigo não foi diferente.

Como mamãe de primeira viagem, sem apoio em casa, me deixei levar pela onda de pessoas ignorantes (já falamos sobre pessoas com mentes ignorantes) e a Babi tomou seu primeiro complemento com 50 dias à noite. Confesso que fiquei com muito receio de ela largar o peito.  Já ouvi relatos sobre isso. Mas antes da mamadeira com leite artificial, eu sempre dava o peito. E foi assim até os cinco meses dela, quando ela passou a tomar apenas a mamadeira à noite. Às vezes bate a frustração de ter me deixado levar por essas pessoas, por ter acreditado no início que meu leite poderia ser fraco e que a Babi quando chorava era de fome, e por não ter amamentado exclusivamente durante os primeiros seis meses. Mas se era apenas uma mamadeira à noite, o dia todo era no peito e eu fazia das tripas ao coração para produzir leite, me sinto guerreira por ter conseguido e por manter a amamentação até hoje. E não sou menos mãe por não ter amamentado exclusivamente. Muitas não conseguem amamentar e são excelentes mães. Aliás, eu destaco três apoios importantes que tive: o da Denise, ex-babá da Babi, que me ajudava com ela duas vezes na semana, da minha irmã Isabella, nos fins de semana, e da minha mãe, que passou uns cinco meses fazendo canjica semanalmente para ajudar na minha produção de leite. Aliás, a melhor canjica do mundo. 

Se a intenção de quem me enchia o saco para dar leite artificial para ela era fazê-la desmamar, isso não aconteceu. Deus é realmente maravilhoso comigo. Ela é louca pelo seu mamá da mamãe. Antes do leite artificial, ela já tinha tomado poucas vezes meu leite na mamadeira. Se fui fraca? De forma alguma. Nesta época descobri que sou ainda mais forte do que sempre fui. Pois escutar essas frases em pleno puerpério quase que diariamente não é fácil, precisa ter uma sanidade mental muito boa e muito controle das emoções para não pirar ou explodir.

No começo , com tanto falatório, fiquei meio que na nóia de não produzir leite suficiente. Nas primeiras semanas durante o dia ela ficava o dia todo no peito. Era super exaustivo. À noite ela espaçava um pouco mais, era a cada três horas mais ou menos. Para ajudar na produção de leite comi muita canjica, bebia muita, muita água, litros de água por dia e tomei e ainda tomo o Chá da Mamãe, da Weleda, e chá de erva-doce. Claro que a melhor coisa para aumentar a produção é o estimulo do bebê com a pega correta. Por isso não fique brava se seu bebê fica o dia todo no peito, isso ajuda a estimular a produção do leite, e hoje sei que também pode ser salto de desenvolvimento. No meu começo eu não sabia disso. Depois descobri que bebês choram, em especial, recém-nascidos, mas não necessariamente por estarem com fome. Pode ser frio, o tal salto de desenvolvimento, por estarem num local sem o aconchego do útero, ou simplesmente porque querem colo, o aconchego e sentir o cheiro da mãe. 

Mas como sou forte e enfrento tudo de cabeça erguida, mantive a fé e persisti no melhor alimento que meu corpo pode produzir para a minha filha. Não foi fácil. Não é fácil amamentar em livre demanda, pois temos de ficar disponível aos nossos filhos. Mas como trabalho em casa, até hoje estou disponível e este é o nosso melhor momento. Hoje em dia quem opta pela amamentação prolongada, como o meu caso, sofre preconceitos. Perguntam até quando a Bárbara vai mamar e minha resposta é: “Até quando ela quiser”. Cada dia ela gosta mais do peito, é impressionante. 

Tive tudo para dar errado na amamentação. Por isso agradeço muito a Deus pela oportunidade de dar amor líquido à minha filha até hoje. Não sei se é sorte. Talvez por nunca ter desistido, por não deixá-la tomar muito complemento, por não ter me entregado, por gostar e por querer amamentar. Por insistir e persistir. E por ter tido e ainda ter muita paciência. Mas paciência, força de vontade, tranquilidade e disponibilidade são palavras-chaves para sucesso na amamentação. Não é fácil, ainda não posso sair e ficar o dia todo fora, mas optei por isso e é mais uma fase que vai passar e que sentirei saudades. Por isso aproveito todos os nossos momentos juntas e amamentar é um momento que só eu posso dar a ela. E eu sigo feliz e ela também. Ela faz a maior festa quando quer mamá. 


Se eu puder dar um conselho para às mamães, em especial, às de primeira viagem: siga seu instinto, sua intuição e não escute as pessoas em sua volta. Li muito e sei que nosso leite não é fraco. Deus é maravilhoso e deu à mulher a possibilidade dela produzir o alimento de seu filho. A Bárbara não largou o peito e nem meu leite diminuiu antes da introdução alimentar porque era raro ela tomar complemento durante o dia. Mas pelo que li a maioria dos bebês vai largando aos poucos. Talvez tenha sido uma mistura de sorte, de persistência, de fé, de perseverar e não desistir. Por isso eu falo: persistem, tenham fé e não desistam. Um beijo carinhoso!

OBS: Eu estou sem as dores da endometriose desde junho de 2012, quando fiz minha segunda e última videolaparoscopia. Por isso eu não tive nenhuma dor, nenhuma cólica durante a gravidez e nem mesmo após o parto. Mesmo com o parto cesárea, não tive nenhuma dor, já levantei logo depois que sai da sala de recuperação, já queria tomar banho sozinha (mas as enfermeiras não deixaram), não andei curvada, não tive nenhum problema. Meu corte foi colado, pontos apenas um em cada ponta. Ficou perfeita minha cirurgia, o doutor Hélio Sato arrasou, mais uma vez. 

terça-feira, 2 de agosto de 2016

"SAÚDE & BEM-ESTAR": OS TRATAMENTOS FISIOTERAPÊUTICOS PARA A CONSTIPAÇÃO INTESTINAL!!

Fonte Blog Farmácia Eficácia

Depois de abordamos o que é a constipação intestinal, o modo correto de evacuar, o formato e os tipos de fezes, a fisioterapeuta Ana Paula Bispo traz os tratamentos fisioterapêuticos que trata a constipação intestinal crônica. Uma dica que dou a todas é beber muita água. A água é uma forte aliada no combate à prisão de ventre. O estilo de vida da pessoa também conta e muito. Por isso uma alimentação saudável e balanceada também é o primeiro passo que vai ajudar a tratar a constipação intestinal. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

 Os tratamentos fisioterapêuticos para a constipação intestinal

Por doutora Ana Paula Bispo 
Edição: Caroline Salazar


O tratamento fisioterapêutico para a constipação intestinal crônica tem como objetivo a eliminação de fezes com consistência normal e o esvaziamento total do intestino.

Orientações gerais:

O esclarecimento da paciente começa durante o exame, ao serem discutidos os hábitos alimentares, orientando-as a procurar um nutricionista, hábitos de esvaziamento do intestino. Deve-se alertar para as consequências negativas que o uso da prensa abdominal durante o esvaziamento acarreta para a bexiga, intestino e o assoalho pélvico. 

Posicionamento para evacuar:

O ensino do posicionamento correto para evacuar, na maioria das vezes, é suficiente para promover o esvaziamento total e sem esforço. É importante alertar a paciente a não adiar a ida ao banheiro: o conteúdo intestinal continua endurecendo na luz do reto, tornando a evacuação mais difícil e dolorosa.

Prática de atividade física:

A prática de atividade física é importante, pois além de melhorar a constipação intestinal crônica, a mobilidade incentiva o peristaltismo intestinal (nota da editora: movimento que o intestino faz para empurrar o bolo intestinal), reduzindo a duração do trânsito gastrointestinal.

Massagem do cólon:

Esse tipo de massagem melhora o peristaltismo intestinal e facilita o esvaziamento do reto. Pode ser feito tanto pelo fisioterapeuta quanto pela própria paciente, desde que devidamente orientada. Consiste em massagear o colón ao longo de seu trajeto, realizando movimentos circulares sempre no sentido horário.

Biofeedback:

Muitos pacientes encontram dificuldades quando têm de perceber a musculatura do assoalho pélvico e contrair e relaxá-la corretamente. O aparelho do biofeedback é utilizado para ajudar a paciente a realizar a contração e o relaxamento corretos desses músculos.

Método do balão:

O balão é introduzido no reto para ajudar a paciente a treinar a atividade reflexa da musculatura do reto e dos esfíncteres, a aumentar a elasticidade do reto e a aumentar a sensibilidade do mesmo. Como na constipação há uma diminuição da sensibilidade retal, a paciente não percebe a necessidade de evacuar. O método do balão visa melhorar a sensibilidade do reto para pequenos volumes, de modo que a paciente volta a sentir a necessidade de esvaziar o intestino.

Sobre a fisioterapeuta Ana Paula Bispo:

Ana Paula Bispo é fisioterapeuta, atualmente faz doutorado em Urologia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é mestre em Ginecologia pela Unifesp, mesma instituição que fez especialização em Reabilitação do Assoalho Pélvico, e docente do curso  de Pós Graduação de Fisioterapia em Uroginecologia da Universidade Estácio de Sá. Siga a fanpage da doutora Ana Paula Bispo.