quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A HISTÓRIA DA PORTUGUESA SARA FERREIRA E SUA ENDOMETRIOSE NA CICATRIZ DA CESÁRIA!!

Sara em família: com o filho, Tiago, e o marido, Nuno - foto exclusiva para o blog

Já faz tempo que quero contar a história de alguma endo mulher que teve endometriose na cicatriz da cesária. Já contamos  história da Danielle Balbino, onde ela começou a ter dores de endo após sua cesária, mas certa vez, um médico disse num programa de tevê, o qual participei, que  era bem provável que ela já teria a doença antes de engravidar. Confesso que fiquei com a pulga atrás da orelha. Pode ter sido, como pode não ter sido. O que sei é que é possível sim ter endo após a cesárea, pois quando o médico costura a cesárea e usa a mesma agulha do útero, pedaços do endométrio do útero é transferido para a cicatriz e pronto. E também é comum em cirurgias no útero, o médico sujar a luva com pedaços do endométrio, que se assemelha ao sangue, e se o médico não trocar a luva e fechar a barriga estando com a mesma luva pronto, mais um motivo para contaminar a cicatriz e daí surge mais um forma da endometriose: endometrioma na parede abdominal. 

Hoje, o A Endometriose e Eu conta mais um testemunho exclusivo: o da portuguesa Sara Ferreira, de 33 anos, da cidade de A-da-Beja/ Amadora, em Portugal. Estou para contar  a história de Sara e sua endometriose desde outubro, mas preferi esperar a cirurgia para saber do resultado da biópsia. Sara começou  a ter dores após o nascimento de seu filho, Tiago. Porém, apesar de insuportáveis, ela não buscou ajuda médica num primeiro momento. Como ela mesmo diz, deixou a saúde para além do segundo plano. Além do endometrioma na parede abdominal, ela se assustou quando descobriu que também tinha um nódulo n região reto septo-vaginal. Uma história que traz uma lição da própria Sara a todas nós, mas com um final extremamente feliz (eu adoro!) que vai inspirar milhares de mulheres

Quem quiser ter sua história publicada no blog é só escrever para carolinesalazar7@gmail.com e coloque o título "História das leitoras". É o blog mais completo do mundo e o único que retrata histórias de suas leitoras mundo afora. Leia também o testemunho da portuguesa Carla Cerqueira e o da americana Candice, que teve endometriose no pulmãoContinue votando no A Endometriose e Eu no prêmio TopBlog Brasil 2013(clique aqui e dê seu voto) e compartilhe a votação entre seus amigos. O primeiro turno vai até 25 de janeiro. Conto com o voto de todos e a gentileza em compartilhar a votação entre seus amigos. E nisso, a Marcha Mundial contra a Endometriose, será muito importante. Inscreva-se e venha marchar conosco. Beijo carinhoso!! Beijo carinhoso! Caroline Salazar


“Olá, o meu nome é Sara Ferreira, sou portuguesa, tenho 33 anos e foi-me diagnosticada a endometriose em fevereiro de 2013. Cresci com minha irmã, nove anos mais velha do que eu, a ter dores muito fortes a época da menstruação. Recordo-me de a ver chorar, gritar e no chão do banheiro como se estivesse a sofrer a maior tortura da vida dela. Eu era muito novinha e aquilo apesar de assustador, eu ainda não compreendia muito bem o que era. Por isso, de certa forma, não me causou nenhum medo ou receio.

Quando ela tinha pouco mais de 22 anos começou a tomar pílula por indicação de sua médica ginecologista, mas infelizmente, descobriu da pior forma que nunca o deveria ter feito. Devido ao valor da proteína S livre, ao tomar a pilula aumenta a chance de ter uma trombose. E foi o que aconteceu com minha irmã. Felizmente está bem, teve um filho, mas já não conseguiu ter o segundo. Cada gravidez era uma possibilidade de trombose, teve dois abortos, e acabou recentemente por ter de retirar o útero.

Então, começa assim, a minha história. Menstruei pela primeira vez aos 12 anos e os meus dois únicos problemas eram: não poder tomar banho na praia na altura da menstruação e os pensos higiênicos (nota da editora: absorventes) que eram muito grossos, o que era um terror! Mas também na adolescência quando temos a nossa menstruação é como se tornássemos mais adultas em relação às nossas amigas, por isso até foi um momento muito engraçado da minha vida. Eu sempre tiveres dores no período, mas nada de especial. Dores ligeiras que amenizavam com um analgésico fraco. Sempre fiquei muito inchada, e na altura da menstruação, chego a ganhar 2 quilos a mais durante uma semana.

Notava apenas algum desconforto nas relações sexuais, mas que atenuava em alguns dos ciclos menstruais. Porém,  nada que me impedisse de ter uma vida sexual normal. Nunca tomei a pilula, fui pela primeira vez ao ginecologista aos 25 anos (eu sei que isso é um erro crasso!) mas também é com os erros que aprendemos.

Fiquei grávida. Começou logo como uma gravidez problemática, pois tive descolamento da placenta, o que me obrigou a ficar em repouso. Aos três meses abortei! Segundo a médica, não se poderia saber o motivo. Foi muito traumatizante, mas meses depois estava grávida de novo. Tive uma gravidez muito tranquila, exceto no último mês que estava sempre com a presão arterial muito alta.

O Tiago nasceu em 2007 e muito bem, mas foi após minha cesariana que tudo começou.Um ano depois de o Tiago nascer apareceu-me um pequeno caroço na área da cicatriz da cesariana. Entrei em pânico! Fui à ginecologista que me disse que com o antibiótico passava. A verdade é que atenuou, e com o tempo percebi que esse caroço aumentava durante o sangramento e depois ia diminuindo. Depois foram começando as dores a ir ao banheiro, mas mesmo assim sempre tudo muito leve. 

Mas o caroço na barriga foi crescendo e a dor aumentando. Há alturas em que a dor era tão forte e tão aguda que sentia que ia morrer. Parecia que algo em mim ia rebentar ou explodir e que eu ia morrer! Eu deixei de andar, pensei que aquilo com o tempo iria desaparecer. Eu tenho medo de cirurgias, de anestesias, e pior tenho sempre medo de ter uma doença terminal. Divorciei-me. Começou ai um período negro e complicado da minha vida. Um tempo de muita tristeza e solidão. Com pouco dinheiro, a tomar conta do meu menino com menos de 3 anos, a minha saúde passou de segundo para quarto ou quinto.

Sabia que durante a menstruação e a semana seguinte iria doer-me muito, mas habituei-me a essa dor. Isso desde 2008… vejam bem só 5 anos depois decidi perceber o que se passava comigo: em fevereiro de 2013. O meu filho doente e eu a trabalhar de casa em teletrabalho. Tive as piores dores da minha vida. Eu não andava, eu não respirava, eu não conseguia fazer nada!!! Eu só queria o meu canto, eu estava a sofrer tanto, mas tanto! É como se me espetassem uma faca na barriga, e depois andassem com ela às voltas lá dentro. Outras vezes parecia-me que tudo dentro de mim estava colado e se eu me mexia parecia que meus órgõs internos iriam rasgar dentro de mim!

O meu atual companheiro obrigou-me a ir ao médico e eu fui. O primeiro diagnóstico foi de uma hérnia. Depois de umas ecografias lá está…eu tinha endometriose! Endometriose profunda, com nódulos na região reto septo-vaginal e outro de 6 cm na costura da cesariana. Confesso que o nódulo reto septo-vaginal apanhou-me completamente de surpresa, porque eu pensava que só tinha aquele na barriga. E quando compreendi que podiam estar alojados noutros sítios…senti que a vida me escapava pelas mãos.

Corri para o computador e quis logo saber o que tinha. Foi através do blog A Endometriose e Eu, de sites e também do blog português Mulherendo que eu realmente percebi que aquilo que havia em mim, era mau, não tinha cura e que fazia-me sofrer muito. Há dias que não se conseguia andar, há pontadas de dor que nos deixam sem respirar, o inchaço abdominal é tão grande que a roupa deixa de servir e a barriga parece que vai explodir. A vontade de fazer xixi parece que nunca mais passa! A sensação é igual à do fim de gravidez. Depois vêm as infeções urinárias, e eu tenho tão pouca sorte que tive uma durante as minhas férias! A vida sexual passa a ser nula… e com o tempo eu percebi como fui deixando de ser aquilo que era para tentar compreender quem sou hoje e como serei. Infelizmente esta doença é uma incógnita.

Todos os meses tenho que explicar à minha mãe que a barriga me dói mesmo quando não estou com no período menstrual. Quando digo que ando cansada ouço comentários que ainda sou muito nova pra tal cansaço. E quando ouço: “Vais ser operada e ficarás boa”, eu penso que não tem cura. A vida muda, nós mudamos! Passei a acordar todos os dias e pensar, será que hoje vai doer?

Agora já fiz muitos exames complementares, é uma tortura grande, e eu continuo a preferir ter uma agenda cheia de atividades com a família e ginástica do que com exames e consultas médicas. Fiz Ressonância Magnética, colonoscopia, ecografias, é muita coisa que vai moendo o nosso pensamento e que também gera ansiedade e algum medo. Eu também tenho o mesmo problema da minha irmã. Não posso tomar a pilula, por isso menstruo todos os meses. Se tentar engravidar de novo posso ter uma trombose! Como pode correr tudo bem!

No dia 11 de outubro decorreu a minha cirurgia. Eu já sabia que devido ao nódulo que tinha na cicatriz da cesariana seria necessário colocar uma prótese de polipropileno e isso me levaria a ficar cinco dias internada. Fui internada no dia anterior da cirurgia, tive que fazer o preparo para limpar o intestino, que é muito difícil. Eu detestei! A minha cirurgia levou quase quatro horas e quando a doutora Filipa Osório me veio visitar disse-me que correu tudo bem, mas que o nódulo da barriga era enorme, tinha 7,5cm. Ela disse que era como uma laranja pequena e até me mostrou uma foto daquele monstro que durante anos me causou tanto sofrimento.

A minha barriga está um pouco disforme, mas a cueca (nota da editora: calcinha no Brasil) tapa. A prótese colocada foi porque ao retirar o nódulo, ficou um buraco enorme e isso deixaria espaço para qualquer outro órgão se alojar nesse lugar. Durante o primeiro dia teve que ser drenado o sangue, mas correu tudo bem e o dreno foi tirado ainda antes do dia da alta! No dia 18 de novembro foi a minha consulta do pós-operatório.

Estou feliz!!! A doutora disse que está tudo bem e só vai me quer ver daqui a 6 meses. Os nódulos eram todos endometriomas e aderências quase nenhumas. Resultado: uma batalha já está vencida, mas eu sinto que é só o começo da guerra. Se eu puder dar um conselho a todas que lerem este meu testemunho é: felicidades a todas e nunca deixem a vossa saúde para segundo plano. Dois meses depois da cirurgia encontro-me muito bem! Apenas com uma dor ligeira no dia da menstruação. Fora isso, a qualidade de vida foi recuperada a 99%. Faço exercício físico regularmente e estou muito mais atenta ao meu corpo ! Eu meu filho,Thiago, e meu marido, Nuno, estamos muito felizes e esta minha nova vida vai deixar-me realizar o sonho de  oficializar meu relacionamento com meu marido. Beijo com carinho, Sara Ferreira”.

6 comentários:

  1. Acabei de descobrir o blog e vou le-lo com muito carinho. Tenho 22 anos 2 filhos e fui diagnosticada com endometriose em abril de 2013. Estou no meio do tratamento e pedindo a Deus que me cure dessas dores horriveis e que abençoe as mãos dos medicos pra que possam me ajudar.

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  2. Olá acabei de descobrir o blog e achei muito interessante,sofro muito com dores e também tenho esses tais coroços na cicatriz da cesariana,faz alguns dias que venho realizando vários exames e a maioria com biópsia pra descobrir o que está acontecendo mas a minha médica disse que com os sintomas que descrevi tenho 85% de chance de ter endometriose.Estou pedindo a Deus para me confortar nesta hora de tanta anciedades

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  3. Acabei de ler este artigo da Sara Ferreira e penso que a minha esposa poderá estar com algo semelhante. Como poderei contactar com a Sara Ferreira? Sou de Portugal e assim poderia ser útil a troca de experiências. Obrigado

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  4. A pouco mais de um ano apareceu um nódulo na cicatriz da minha cesariana, a mais ou menos 15 dias fiz uma ultrassom e o médico achou melhor retirá-lo para fazer uma biopsia posterior, recebi hoje o resultado e foi confirmado que era um endometrioma, o meu nódulo era pequeno ainda tinha um pouco mais de 1 cm.
    Minha menstruação está atrasada e estou sentindo náuseas, sono e medo rsrsrs. Não sei se é por causa da retirada ou se é uma possível gravidez, estou esperando mais alguns dias para fazer o exame e não correr o risco de um falso-negativo ou falso-positivo.
    Adorei o blog!

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  5. Olá. Meu nome é Andreia tenho 26 anos, duas filha, uma de 12 é outra de 7. Minha última gravidez foi uma cesárea. e agora sete anos depois deixei de tomar o anticoncecional. Comecei a sentir muitas dores. Eu não entendia oque podia ser. Procurei um médico e fiz uma ultrassom. É me foi constatado um nódulo na região da Cesária. Estou aguardando pela cirurgia e tenho muito medo de não poder engravidar novamente. Minha cicatriz parece estar presa ao músculo nos dias de menstruação parece q vai abrir a cicatriz. Estou com muito medo, não consigo parar de pensar no que vai acontecer. O exame de ultrassonografia que fiz foi particular e não gostei da forma q a médica avaliou. acredito q ela foi pelo achismo pq disse pra mim q não conseguia ver direito.e mesmo assim colocou o diagnóstico. Tenho medo de que no dia da cirurgia encontra-se mais nódulos. Tem muita fé em Deu.

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  6. Olá. Meu nome é Andreia tenho 26 anos, duas filha, uma de 12 é outra de 7. Minha última gravidez foi uma cesárea. e agora sete anos depois deixei de tomar o anticoncecional. Comecei a sentir muitas dores. Eu não entendia oque podia ser. Procurei um médico e fiz uma ultrassom. É me foi constatado um nódulo na região da Cesária. Estou aguardando pela cirurgia e tenho muito medo de não poder engravidar novamente. Minha cicatriz parece estar presa ao músculo nos dias de menstruação parece q vai abrir a cicatriz. Estou com muito medo, não consigo parar de pensar no que vai acontecer. O exame de ultrassonografia que fiz foi particular e não gostei da forma q a médica avaliou. acredito q ela foi pelo achismo pq disse pra mim q não conseguia ver direito.e mesmo assim colocou o diagnóstico. Tenho medo de que no dia da cirurgia encontra-se mais nódulos. Tem muita fé em Deu.

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