quarta-feira, 28 de outubro de 2015

"A VIDA DE UM ENDOMARIDO": ENDOMULHER MORRE APÓS NEGLIGÊNCIA DE HOSPITAL EM LONDRES, NA INGLATERRA!

Foto: artigo original Daily Mail

Hoje em "A Vida de um Endomarido" Alexandre traz um texto que está dando o que falar nas comunidades gringas. Você leu bem o título: mulher com endometriose morre após negligência de um hospital em Londres. A gente sempre pensa que essa barbaridade da "negligência" só acontece em nosso país. Mas não, desta vez, foi num país de primeiro mundo, e o que dizer? Eu só lamento que há maus profissionais como os do texto abaixo, e falo que todas nós estamos sujeitos às negligências médicas. Muitas pessoas não dão o real valor a quem sofre com esta enfermidade. Depois falam que endometriose não mata, que é uma doença boba. Já traduzimos um artigo de uma assistente médica americana sobre sua endometriose que poderia ter matado-a. A endometriose pode matar, sim! Esse artigo é muito importante já que a própria paciente, uma assistente médica (alguém da área da saúde), fala da gravidade do seu tumor de endometriose. Portanto não é qualquer paciente falando. Precisamos ser levadas à sério. Precisamos mostrar nossa cara, para mostrar que somos muitas e que precisamos de respeito e de tratamento digno, como qualquer ser humano. Por isso junte-se a nós na 3ª edição da EndoMarcha, clique aqui e faça seu cadastro. Basta preencher o cadastro uma única vez. Juntas somos mais fortes. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

Tradução: Alexandre Vaz

Edição: Caroline Salazar



Mulher falece após recepcionista do hospital considerar que ela não estava “tão doente assim”

Madhumita, 30 anos de idade, morreu após falha dos seus órgãos em menos de quatro dias após a recepcionista do hospital considerar que ela não estava “tão doente assim”, como relatam os investigadores do caso. Essa decisão foi tomada por um dos membros do staff do Hospital Universitário Corydon em Londres, na Inglaterra, e terminou com a morte dessa jovem mulher.

Mandal foi levada para a urgência do hospital universitário Croydon pelo marido, Prabhanjan Behera, após vomitar por mais de quatro horas na manhã de um sábado em setembro de 2013.

A recepcionista Triveni Dhavade encaminhou-a para a urgência que cuida apenas de doenças menos grave. Dhavade recebeu formação como farmacêutica na Índia, mas alegadamente nunca exerceu a profissão e trabalhou no hospital por 17 anos. A sua única qualificação reconhecida no Reino Unido é de conselheira de hipoteca.

Behera implorou para que uma enfermeira atendesse sua esposa, que vomitava repetidamente na sala de espera, mas Dhavade alegadamente não conseguiu achar uma profissional por mais de uma hora. Eloise Power, a advogada que representa a família, perguntou a Dhavade como foi possível que ela não achasse uma enfermeira para olhar a paciente. Dhavade respondeu: “Ela não estava assim tão doente. Eu não tinha como saber que ela estava tão doente assim.”

Quando uma enfermeira estava disponível e viu a gravidade do estado de Mandal, ela correu com a paciente para a sala de reanimação.

Quando Mandal finalmente foi observada por um médico, vários desentendimentos entre dois colegas forçaram um médico júnior a dar instruções para que ela fosse levada para os cuidados intensivos.

A doutora Jessica Davies falou que o escrivão do departamento de urgência, doutor Ademola Tokan-Lawal, atrasou a chamada de uma equipe médica, insistindo que Mandal simplesmente precisava receber fluidos para diminuir seu ritmo cardíaco. Acabou falando: “Você pode consultá-la se quiser, mas eles não vão recebê-la, pois ela não está ruim o suficiente”, e aí a doutora Jessica referenciou a paciente.

Mandal chegou a ser operada de um cisto ovariano estourado, quase oito horas após chegar ao hospital no Sul de Londres.

Ela faleceu de septicemia e falha múltipla de órgãos quatro dias depois. Dehera falou que sua esposa tinha endometriose e estava com cirurgia marcada para remoção dos cistos alguns dias depois.

Após o falecimento de Mandal, Behera que era considerado seu dependente na Inglaterra não conseguiu a renovação do visto e teve de voltar para a Índia, pois “não existiam motivos imperiosos e compassivos” para continuar a residir no Reino Unido.

Behera retornou ao Reino Unido para acompanhar a investigação sobre a morte de sua esposa.

Fonte: Daily Mail

Comentário do Endomarido:

Olhando esse caso já de 2013, várias são as situações que correram da pior forma. Em primeiro lugar, permitam esse comentário. Tenho bastantes amigos brasileiros aqui em Portugal, e todos me indicaram que o SUS é um horror por comparação ao nosso sistema de saúde pública, que nós achamos ruim e que segundo eles por comparação é um luxo. Como puderam ler, esse caso aconteceu na Inglaterra, mais precisamente em Londres, um país que consideramos ter um padrão bem acima do nosso. E, no entanto, isso pode acontecer, como relatado pelo Daily Mail.

Como é possível? Bom, esquecendo o vício que tanto Portugueses como Brasileiros tem de botar a culpa no governo sobre chover demais e chover de menos, precisamos encarar que em todas as áreas e em todos os países existem bons e maus profissionais. São os trabalhadores que fazem a empresa, não o contrário.

Costumamos falar que a empresa X é certificada. É nada, a certificação é do profissional, se ele for embora aquele documento que foi emitido em nome do Manuel Feijão Preto não serve para mais ninguém. Da mesma forma, o prestígio que um hospital exibe foi conseguido pelo bom trabalho dos seus funcionários, e se eles diminuírem na qualidade, casos desses surgirão que irão abalar essa reputação. Isso deveria ser o suficiente para que a administração do hospital ponderasse muito bem quem contratar para os lugares chave. Quem está na triagem e na recepção não pode ser alguém sem experiência médica. Essa não é uma posição menor. Uma falha na avaliação da gravidade do estado de saúde de um paciente pode conduzir a uma demora que torne inúteis os esforços do melhor médico do mundo. Aí joga uma moeda para o alto: cara você chama o santo, coroa chama o cangalheiro. Se uma paciente chega vomitando desse jeito, tem alguma coisa errada com ela. Precisa ser observada o quanto antes por quem saiba o que está fazendo.

Pelo texto, que é uma interpretação do relato de alguém que talvez nem tenha acompanhado o caso diretamente, o marido parece ter entrado em pânico. Pobre homem, ele talvez tenha ficado desnorteado e sem saber o que fazer, levou a esposa para o hospital, mas poderia talvez ter feito mais; vamos ver o quê: Faz anos que minha esposa vai para todo o lugar com uma pasta contendo os exames médicos mais recentes, lista de medicamentos que está tomando e relatórios médicos. Isso está dentro do carro, pois quando ela vai para qualquer lugar mais longe ela sempre vai de carro. Basta uma hora de pé e ela já fica com dor, por vezes menos que isso. Então o carro é uma das melhores coisas que ela tem para manter autonomia. Isso faz com que nunca fique muito longe dos registros médicos caso precise apresentar eles, ou numa ida de urgência ao hospital, rapidamente dar a conhecer seu histórico ao profissional que atenda ela.

Mesmo numa condição como a endometriose, desvalorizada por muitos médicos, a assinatura de um colega (melhor se for especialista) afirmando que é portadora dessa doença e eles deixam de colocar muitos obstáculos. A razão é, já tem quem assuma a responsabilidade. O médico poderá facilmente alegar que não teve tempo de examinar um quadro tão complexo em contexto de urgência e baseou na informação que o colega passou no relatório. Não comece já a xingar a mãe do médico. O exercício da medicina hoje é muito complexo e bons advogados sempre conseguem colocar a culpa em alguém.

Os hospitais possuem departamentos jurídicos que muitas vezes conseguem lidar com isso sem consequências para os médicos ou o próprio hospital, mas que irá deixar o médico em maus lençóis perante a chefia de qualquer jeito. É a carreira deles em jogo. Podem inclusive ser presos. Então hoje o médico precisa se preocupar com tanta coisa além do exercício da sua função, que ser médico começa a ocupar a menor parte do que ele na realidade faz. Para evitar ser processado, o profissional hoje tem que se blindar contra toda e qualquer situação. Isso faz reduzir o tempo disponível para executar a sua função principal e dispara os custos pois essa blindagem não é de graça. Exemplo: na minha área, manutenção industrial, muitas vezes temos que usar instrumentos calibrados e certificados para garantir as leituras efetuadas num determinado processo. Para terem uma noção, por vezes só essa certificação que é anual, muitas vezes custa mais do que o próprio instrumento. Alguém vai ter que pagar isso, geralmente o cliente final. Qualidade custa dinheiro.

Será que foi falado para os médicos que Mandal tinha uma cirurgia marcada para remoção de cistos nos ovários dentro de alguns dias? Agora não adianta mais para Mandal, mas poderá fazer a diferença para você que lê isso agora. Leve sempre com você a documentação relevante que comprove que tem uma doença e a lista da medicação que está tomando. Pode ser que calhe com um médico picareta e não vai fazer diferença, mas se for atendida por um bom profissional, você estará ajudando e muito para que ele possa fazer o melhor trabalho e lhe dar a melhor chance. Procure ajudar o seu médico. Ele não é nem adivinho nem santo milagreiro. É apenas um ser humano que dedicou muito tempo a estudar para poder ajudar quem precise. Colabore com ele, pela sua saúde.

Já falei da recepcionista, ela não tinha a qualificação necessária (na minha opinião) para estar naquele posto, vamos nos médicos que ficam discutindo perante uma paciente. Que triste espetáculo esse. Como vocês falam aí, uma verdadeira palhaçada. É inadmissível que um médico júnior tenha que intervir perante dois colegas mais antigos solicitando aquilo que deveria ser a primeira coisa que qualquer um deles deveria ter feito. Encaminhar sem demora a paciente para o serviço adequado para garantir a sua segurança e bem estar.

Mas na cabeça desses dois provavelmente estava rolando uma batalha de egos enquanto eles estavam fazendo orçamento de quanto iria custar atender essa paciente e como poderia ficar mais barato. Num caso desses, se foi como eu julgo ter entendido, esses dois estariam no olho da rua e sem prejuízo das sanções legais resultantes das consequências na saúde da paciente.

Muita gente poderia ter feito melhor nesse processo todo. Fica a sensação de que o que aconteceu foi a pior versão possível que essa história poderia ter tido.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

PALESTRA DE CONSCIENTIZAÇÃO DA ENDOMETRIOSE COM A JORNALISTA E BLOGUEIRA CAROLINE SALAZAR!

Fotos: Divulgação/ Bayer 


Há um ano e meio dei a primeira palestra na Bayer (fotos) durante a Semana da Mulher para conscientizar as mulheres da empresa sobre esta terrível e enigmática doença que atinge uma em cada 10 mulheres. A ideia surgiu de um amigo, que sabe da causa social a qual eu luto e que sabe também que eu trabalho dia e noite no blog. Hoje decidi escrever sobre isso para espalhar esta ideia. Minhas palestras vêm para reforçar a premissa do A Endometriose e Eu, que também se tornou a do programa EndoMulheres: informar, espalhar a palavra, os sintomas, as possíveis causas, para que haja o diagnóstico precoce da doença. Na minha palestra passo a informação que "não é normal sentir dor no período menstrual", "a cólica forte não é normal", dentre muitas outras relevantes. A palestra também surge para que eu possa ganhar algo para me sustentar. Desde julho de 2013 tenho trabalhado com "endometriose" mais do que qualquer outra coisa. Antes do blog, eu era repórter da área de celebridades. Mas com o tempo passei a trabalhar cada vez mais no blog, assim comecei a me especializar em endo, do ponto de vista jornalístico. Hoje em dia não dá para fazer outra coisa a não ser trabalhar com endometriose. E posso dizer é algo que eu amo e é o que eu sempre quis. E também isso é algo que está ligado à minha imagem. Mesmo com minha bebê de sete meses e meio continuo arduamente trabalhando no blog. Acho que teve gente que pensou que eu iria parar após o nascimento de minha filha, assim como alguém pode ter pensado que quando eu ficasse boa da endo também iria parar com o blog. Mas a resposta é não. Não posso deixar de agradecer ao endomarido, Alexandre, que me apoiou muito nos primeiro meses de vida da minha bebê, e trabalhou para que continuássemos com as postagens frequentes.



Fotos: Divulgação/ Bayer 

Fazer o trabalho que faço no blog exige muita dedicação, muito, muito tempo, muita, muita pesquisa, dentre muitas outras coisas. Há cinco anos e meio venho me profissionalziando na área. Acho que sou a única jornalista do Brasil que tem se dedicado à endometriose. Na verdade a vida me trouxe esse caminho e eu resolvi trilhá-lo colocando minha competência jornalística a serviço da grande comunidade que precisa de informações sobre a endometriose. Assim ajudo na conscientização da doença e ainda cumpro com meu papel de jornalista que é o de passar a informação, informações estas na maioria das vezes exclusivas, pois são textos que os leitores só encontram no blog. Principalmente com os textos dos cientistas internacionais. Por isso achei fantástica a ideia deste amigo para que eu começasse a palestrar. Segundo ele, eu passaria a informar mais a sociedade e poderia ganhar alguma coisa para o meu sustento. O meu trabalho com as portadoras sempre será voluntário. Fazer o trabalho que fazemos no A Endometriose e Eu, se dedicar a ele, como me dedico, exige deixar de lado atividades que geram renda. Assim surgiu também a ideia da loja virtual, que acrescento uma porcentagem nas peças, mas não lucro com ela, e também os anúncios no blog. Aliás, este último foi ideia das leitoras do exterior, que também se preocuparam em "como vou pagar minhas contas,  se trabalho dia e noite no blog". A ideia dos anúncios é também para profissionalizar o blog, já que ele é único no segmento. 



Foto: Divulgação/ Bayer 
Meu público para as palestras são empresas, escolas, grupos de mulheres e ou de homens (afinal, todo homem tem uma mulher ao lado), templos religiosos, hospitais, seminários dentre muitos outros. Quem quiser palestra comigo é só enviar email para carolinesalazar7@gmail.com e coloque o título "Palestra de Conscientização". Beijo carinhoso!

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

DAMOS A LARGADA PARA A ENDOMARCHA 2016 - DATA E CADASTRO DOS VOLUNTÁRIOS!!




Hoje damos a largada para a 3ª edição da Marcha Mundial pela Conscientização da Endometriose - a EndoMarcha, que será realizada no dia 19 de março de 2016, no penúltimo sábado do mês de conscientização da endometriose. Como nos anos anteriores, os interessados a participarem têm de se inscrever no Cadastro de Voluntários (clique aqui). Desde 2014 a EndoMarcha está presente em mais de 60 países. O objetivo é conscientizar a sociedade sobre a doença que afeta uma em cada 10 mulheres e também é um movimento internacional que reivindica os direitos que teríamos de ter como cidadãos. Nós reivindicamos o que tem de ser nosso por direito. Por isso a união de todos, independente, de que grupo participa é muito importante. No ano passado a de São Paulo me surpreendeu pelo número de participantes. É tão bom quando você espera X pessoas e vai X², não é mesmo? Quero ter essa surpresa de novo em 2016.  

Em 2014 tivemos a EndoMarcha em cinco estados brasileiros. Já em 2015 em quatro: São Paulo, Mato Grosso do Sul (Campo Grande), Paraná (Londrina) e Rio Grande do Sul (Porto Alegre). Agradeço às coordenadoras Cris Oshiro (MS), Kelly Klein (PR) e Giselle Del Sent (RS) por fazerem acontecer a marcha em seus estados, e ao endomarido Paulo Soares que me ajudou a fazer a de São Paulo. Não adianta ficarmos sentadas no sofá xingando o governo, falando que não há tratamento pelo SUS, se você fica de braços cruzados sem agir. Cadê as mais de 7 ou 10 milhões de brasileiras portadoras da doença? A EndoMarcha é a oportunidade que temos de mostrar nossa cara e de dizer: "Sim nossa presidente, nós somos muitas, sofremos bastante, precisamos de respeito, de leis e de tratamento digno pelo Sistema Único de Saúde (SUS)". Se você quiser coordenar a EndoMarcha em seu estado, entre em contato comigo no email: endomarch.brazil@gmail.com. As insicrições dos estados vão até o dia 15 de dezembro. Conto com a participação de todos. A união faz a força e juntas somos mais fortes! Beijo carinhoso!! Caroline Salazar

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

NOVA PARCERIA DO BLOG: SILUETS ESTÉTICA PERDIZES!!


O A Endometriose e Eu inicia hoje uma parceria com a clínica de estética Siluets Perdizes.  E no mês das crianças quem ganha o presente é você. A clínica está com uma mega promoção. Você doa brinquedos, ajuda fazer uma criança carente feliz, e ainda ganha descontos de até 25% para fazer qualquer tratamento estético lá até o dia 31 de outubro. Ótima oportunidade para quem quer dar um up no visual. Eu procurei a clínica, pois queria tirar as 5 estrias que a gravidez me deu de presente na barriga. Mesmo tendo engordado super pouco, foram 9 quilos, e passando creme na barriga as danadas apareceram. Eu não me importo com estrias em outros locais do corpo, mas na barriga eu juro que não queria. Como elas ainda estão novas, sei que é muito mais fácil de recuperar a pele. E foi exatamente isso que ouvi na avaliação: por elas estarem vermelhas a recuperação será de até 80 a 90%. Fiquei muito feliz. Vou fazer um antes e depois para vocês verem o resultado. Quando falei do trabalho que faço no blog e nos eventos, o pessoal da clínica amou e quer muito ajudar na conscientização da endometriose. Com isso surgiu a ideia da parceria. Mais pessoas na nossa luta. Agradeço à Aline pela gentileza em querer nos ajudar e a disponibilidade que ela ofereceu. Assim que eu falei, ela prontamente já quis fazer algo para ajudar. E isso é raro nos dias de hoje. Precisamos de mais pessoas como a Aline para fazer a diferença em nosso país. Para quem quiser agendar uma avaliação é gratuita. Beijo carinhoso! 

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O QUE AS BACTÉRIAS DO SEU INTESTINO TÊM A VER COM O INCHAÇO ABDOMINAL?



imagem cedida por Free Digital Photos

Dando continuidade ao texto barriga de endometriose: o inchaço abdominal que confunde com a gravidez, você sabe o que as bactérias do nosso intestino têm a ver com o inchaço e com o desconforto gastrointestinal que sentimos? Neste artigo, a doutora Danielle Cook aborda as bactérias do nosso intestino, fala das nocivas às benéficas. É o A Endometriose e Eu trazendo sempre conteúdo de qualidade e exclusivos para você saber mais sobre esta enigmática doença. Beijo carinhoso! Caroline Salazar 

Por  doutora Danielle Cook

Tradução: Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar


O que tem as bactérias do seu intestino têm a ver com aquele inchaço e desconforto gastrointestinal? 

Muita coisa!

Nós temos mais bactérias vivendo no intestino do que o corpo humano tem de células. Temos um equilíbrio entre bactérias benéficas e bactérias potencialmente patogênicas (aquelas danadas que podem causar doenças). Esse é na verdade um dos ecossistemas mais complexos que existe na natureza. É importante manter um equilíbrio saudável entre as bactérias no intestino.
Essas bactérias benéficas não estão lá apenas para curtir a viagem, mas ao invés disso, elas desempenham um papel crucial na nossa saúde. Por exemplo, elas estão envolvidas no processo de digestão da comida que ingerimos, produzindo vitaminas como K2 e biotina, convertendo o hormônio da tireoide na sua forma ativa, desintoxicando, reduzindo inflamação, reduzindo formas patogênicas de bactérias e produção de energia. Esses são apenas alguns dos papeis importantes que elas desempenham! Também temos fermentos e vírus lá. É importante manter o equilíbrio saudável desses micro-organismos em nosso intestino também.
A barriga de endometriose é mais um exemplo de um vasto leque de sintomas que as portadoras experimentam, e é um dos fatores que mais frequentemente são incompreendidos dessa doença. - Danielle Cook, RD, MS.

Os problemas gastrointestinais podem resultar de problemas bacteriológicos no intestino delgado e/ou grosso. A maioria das bactérias existe no intestino grosso. No intestino delgado também existem, mas em proporção muito menor.
Disbiose é uma doença em que ocorre um desiquilíbrio nas bactérias benéficas e as patogênicas (que podem causar doenças) no intestino. O crescimento anômalo de bactérias no intestino delgado (nota do tradutor: em inglês: SIBO)é uma doença em que as bactérias do intestino grosso podem migrar para o intestino delgado. Com isso, a abundância de bactérias no local errado é exposta aos alimentos ainda não digeridos, que acabam por devorar, produzindo grandes quantidades de gases (inchaço, dor e indigestão).
Fatores que podem alterar negativamente o equilíbrio bacteriológico e conduzir a essas doenças, incluem:

  • Antibióticos (com certos tipos de antibióticos pode demorar até 2 anos para o reequilíbrio saudável microbiótico ser atingido no seu intestino);
  • Estresse crônico;
  • Anti-inflamatórios não-esteroides;
  • Obstipação;
  • Dieta semelhante à tipica americana (rica em gorduras pouco saudáveis, carboidratos processados e açúcar, e pobre em fibras e vegetais);
  • Alergias alimentares e sensibilidades;
  • Um sistema imunológico deficiente;
  • Infecções intestinais (como excesso de fermentos) e parasitas;
  • Inflamação;
  • Funcionamento deficiente ou remoção da válvula ileocecal (válvula entre os intestinos delgado e grosso).

Existem vários sintomas comuns para a disbiose e SIBO. Poderá ter vários desses sintomas entre a seguinte lista:

  • Inchaço, arroto, azia, flatulência após a refeição;
  • Sensação de estômago cheio após a refeição;
  • Indigestão, diarreia, obstipação;
  • Reação sistemática após refeição (como dor de cabeça e nas articulações);
  • Náusea ou diarreia após toma de suplementos (especialmente multivitamínicos e vitamina B);
  • Unhas frágeis ou quebradiças;
  • Capilares dilatados na face e no nariz (para pessoas não-alcoólicas);
  • Deficiencia nos níveis de ferro;
  • Infecções intestinais crônicas, parasitas, fermento, bactérias patogênicas;
  • Fezes gordurosas;
  • Pele sensível a lesões;
  • Fadiga;
  • Amenorréia (ausência de menstruação);
  • Vaginismo crônico (irritação vaginal);
  • Dor pélvica.

A disbiose não é rara nas mulheres com endometriose. A inflamação intestinal associada à endometriose pode alterar o equilíbrio da microflora. Balley e Coe investigaram a microflora intestinal em macacos reso fêmea e descobriram um aumento da inflamação intestinal e decréscimo de lactobacilos aeróbica e bactérias gram negativas nos macacos com endometriose quando comparados com os que não apresentam a doença.

Um desiquilíbrio na microflora intestinal disbiose pode ter consequências negativas na saúde, incluindo digestão deficiente, má absorção dos nutrientes, acréscimo de inflamação e de infecções gastrointestinais. A microflora intestinal age como uma barreira para os patogênicos ao impedir que grudem e produz substâncias antibacterianas.

Problemas com o crescimento anômalo de bactérias no intestino delgado podem resultar nas sintomas gastrointestinais frequentes entre as portadoras. Estudos recentes demonstraram a presença de SIBO nas portadoras de endometriose.
Em um estudo, 40 em 50 portadoras com confirmação laparoscópica foram detetadas com SIBO. Isso precisa ser considerado como um fator contributivo para quando a mulher tem inchaço abdominal severo.

O intestino desempenha um papel importante na eliminação do estrogênio. Desintoxicação fase II no fígado (termo médico para o processo de eliminação de muitos hormônios incluindo o estrogênio) utiliza a conjugação de estrogênio com outros compostos para que eles possam ser excretados pela bílis. Se a flora intestinal não estiver equilibrada, certas bactérias segregam uma enzima chamada Beta-glucuronidase, que separa a molécula glicuronídeo do estrogênio, permitindo que o estrogênio seja reabsorvido em vez de excretado nas fezes.

Lactobacilo, uma bactéria saudável, diminui a atividade da Beta-glucuronidase. Se a atividade da Beta-glucuronidase aumenta, mais estrogênio será reabsorvido e potencialmente agravar a endometriose.

Você tem algum desses sintomas? Se a resposta for sim, eles podem estar sendo causados por algo mais do que apenas a inflamação da endometriose. Se tiver esses sintomas após uma cirurgia de excisão da endometriose de qualidade, a sua endometriose foi embora, mas os sintomas podem resultar de outras doenças como as mencionadas acima.

Alguns testes que podem ser realizados incluem um teste de hálito para medição dos níveis de hydrogênio/metano, uma análise das fezes por um laboratório como Genova Diagnostics, teste de ácido orgânico e teste para sensibilidades alimentares. Podem existir dietas terapeuticas que podem ser ajudar a gerir os sintomas, como a dieta de carboidratos específicos, a dieta FODMAP, a dieta microbiótica e a dieta Paleo Autoimune.

Não existe um tratamento único para todos os casos de disbiose Algumas dietas que ajudam com a disbiose podem agravar a SIBO. Um profissional qualificado pode ajudar a determinar quais os estudos e tratamentos que podem ser mais úteis. Alguns desses testes laboratoriais que podem ser relevantes podem ser realizados no nosso Laboratório de Testes Especializado no Vital Health Institute.

Nota do tradutor: Talvez possa estar interessado nesse vídeo caso entenda inglês. Pedimos desculpa por não ter tradução, mas não é possível traduzir tudo.



Fonte: Vital Health

terça-feira, 13 de outubro de 2015

MATTHEW ROSSER: ENDOMETRIOSE EM ADOLESCENTES? SIM, ELAS TAMBÉM TÊM!

imagem cedida por Free Digital Photos
O texto de hoje é extremamente importante, pois ele poderá salvar vidas do sofrimento. Depois de sofrer com as dores severas da endometriose por 18 anos, eu tive o diagnóstico da doença, já pra lá da casa dos 30 anos. Quando comecei meu tratamento num centro especializado descobri que é bem provável que tenho endo desde os meus 13 anos, quando retirei meu apêndice. Ou seja, desde a adolescência. Nunca nenhum médico levou em conta minhas cólicas fortes e minhas dores nas pernas. Dores essas que me impediam de andar durante meu período menstrual. Por conta da doença ter o ridículo rótulo "de que a endometriose é a doença da mulher moderna", pelo fato de hoje as mulheres estarem mais ativas no mercado de trabalho, uma frase machista e extremamente preconceituosa, esse texto vai tirar esse mito e tomara Deus abrir as mentes dos médicos, especialmente, dos mais velhos que meninas jovens, adolescentes podem ter endometriose, sim. Compartilhe este texto e ajude na correta conscientização da endometriose para que haja o diagnóstico precoce da doença. Beijo carinhoso! Caroline Salazar


Por Matthew Rosser 
Tradução: Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar

Um dos muitos mitos acerca da endometriose é que a doença afeta apenas mulheres adultas na casa dos 30 anos. Essa crença tem sido mantida por muitos, muitos anos e ainda corre por aí.
Contudo, embora possa ser verdade que a maioria das portadoras são geralmente diagnosticadas entre os 20 e os 30 anos de idade, a verdade é que os sintomas surgem muito antes e, ao serem ignorados, isso conduz a um atraso no diagnóstico fazendo com que a idade real em que a endometriose se apresenta não seja enxergada.

Felizmente hoje existe uma vontade de intensificar os estudos e a conscientização sobre a endometriose em jovens moças. Hoje vou falar de um desses estudos com origem nos Estados Unidos, um texto grátis e completo que vocês podem acessar aqui.

Esse estudo contou com 25 casos de moças com idade inferior a 21 anos que fizeram laparoscopia por conta de dor pélvica e que não tinham diagnóstico prévio de endometriose, fosse por laparoscopia ou por métodos radiológicos (ressonância magnética, ultrassom, etc). Foi recolhida informação de todas as pacientes antes e depois da cirurgia para determinar o que as características da endometriose nessas pacientes poderiam nos indicar sobre a doença na adolescência (apesar de ser um grupo pequeno, é necessário começar em algum lugar).

A idade média das pacientes desse grupo era de 17,2 anos. O interessante é que 14 dessas 25 (56%) reportaram um histórico de endometriose na família. Isso é muito superior ao que seria de se esperar se fosse um grupo escolhido ao acaso a partir da população geral. O que isso significa é que o risco de desenvolvimento de endometriose em idade precoce é aumenta significativamente pelo histórico de endometriose na família, um fato que médicos e portadoras precisam ter consciência.

Os resultados desse estudo parecem sugerir que os casais com endometriose são bem capazes de identificarem os sintomas , já que 44% das pacientes do grupo vieram indicadas pelas suas mães.

No que diz respeito aos sintomas experimentados pelas pacientes, os ginecológicos mais comuns eram aqueles tipicamente associados à endometriose, tais como dismenorreia (períodos menstruais excessivamente dolorosos) em 64% dos casos, e sangramento anormal em 60% dos casos. Esse é um assunto de extrema importância, já que esses sintomas poderão levar a ausências na escola todos os meses, potencialmente destruindo os projetos da jovem para a sua vida adulta. Apenas 4 das 25 pacientes reportaram sofrer de dispareunia (relações sexuais dolorosas), mas como apenas 8 das 25 assumiram ser sexualmente ativas, a dispareunia é um fraco indicador de endometriose nesse grupo.

Dos sintomas gastrointestinais, a náusea foi o mais comum, presente em quase metade das pacientes (44%). Entre 20 e 25% do total das pacientes experimentaram outros sintomas gastrointestinais, como prisão de ventre ou diarreia. Fadiga, um sintoma da endometriose frequentemente ignorado, estava presente em cerca de 25% das pacientes, e parece ficar mais comum com a idade.

Foi reportada uma variação muito elevada no intervalo que existiu na primeira visita ao médico e a obtenção de um diagnóstico. Nesse grupo em particular a obtenção de diagnóstico foi entre 1 mês e 9 anos, sendo que a média entre o início dos sintomas e o diagnóstico situou-se em 2 anos.

Isso vem demonstrar quão importante é que os médicos estejam bem preparados para a identificação dos sinais de endometriose em jovens adolescentes e mulheres adultas.

Os autores desse estudo referiram um inquérito a mais de 4 mil mulheres diagnosticadas com endometriose. Dois terços dessas mulheres afirmaram que os seus sintomas eram muito menos valorizados quando eram adolescentes do que após virarem adultas.

Após as 25 pacientes terem feito a cirurgia, foi descoberto que 17 delas tinham endo grau I, 5 tinham endo grau II, 3 tinham grau III e nenhuma tinha grau IV. Essas descobertas são coincidentes com um estudo publicado faz algumas semanas que incluiu 55 jovens de idades inferiores a 19 anos previamente diagnosticadas com endometriose. Não constituiu surpresa verificar que não existiam casos de endo grau IV, já que estudos anteriores revelaram uma taxa muito baixa de cistos endometrióticos ovarianos em adolescentes. Contudo, graus severos de endometriose em jovens moças não são inéditos, em particular após os 17 anos, e portanto não devem ser descartados.

Uma das observações feitas pelos autores é que a aparência da endometriose em adolescentes pode ser diferente da existente em mulheres adultas. Por exemplo, eles notaram que os tipos predominantes de lesões eram sutis, atípicas, translúcidas, brancas ou vermelhas, enquanto que nas portadoras adultas tendiam a ser mais escuras, um tom azul bem escuro, quase preto. Esse é um fator importante que os cirurgiões devem levar em consideração, como sendo formas mais sutis da doença e que podem facilmente passar despercebidas.

Após um ano de acompanhamento das pacientes, 80% tinham melhorado ou eliminado a dor, mas esse foi um acompanhamento curto e como os tratamentos pós-operatórios foram diferentes, fica difícil dizer o que foi que influenciou a resolução dos sintomas.

Ainda assim, esse artigo levanta várias questões importantes em torno da endometriose em adolescentes. Em particular a forma como ela pode se apresentar com diferentes aspectos, tanto sintomática quanto fisicamente, relativo a portadoras adultas e como melhor caracterizar a endometriose na adolescência podendo conduzir a um diagnóstico mais rápido, melhores tratamentos e a um fardo menor causado pela doença nas portadoras e na sociedade.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

BARRIGA DE ENDOMETRIOSE: O INCHAÇO ABDOMINAL QUE CONFUNDE COM GRAVIDEZ!!


Foto: Samantha - fonte Vital Health
A endometriose é uma doença que tem vários sintomas, porém alguns não são levados a sério pelos médicos. O inchaço abdominal é um deles. Olhando a foto pensamos que Samantha está grávida, e quase que na reta final da gestação, não é mesmo?! Mas não, ela tem endometriose e sofre com o inchaço abdominal. Qual portadora que tem esse sintoma que nunca ouviu a pergunta: "Você está grávida?" Lembro-me bem de quando eu tinha dores da minha barriga ficar tão, mas tão inchada que eu não conseguia fechar o zíper da calça ou shorts. Com isso aposentei meus jeans e fiquei anos usando apenas legging e camiseta. Foi uma felicidade quando entrei no meu velho e bom jeans, após anos sem usá-la. Precisamos conscientizar as pessoas sobre a endometriose e também sobre seus sintomas, para que haja mais respeito com o que passamos. Compartilhe este texto para que o inchaço abdominal seja levado a sério. Mais um texto exclusivo do A Endometriose e Eu. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

Por doutor Andrew Cook
Tradução: Alexandre Vaz
Edição: Caroline Salazar

Barriga de Endometriose: o inchaço abdominal que confunde com gravidez

"O trauma psicológico junto com a dor física tem sido demais. No entanto, os médicos estão pouco se importando com isso... Estou me sentindo totalmente abandonada...” Samantha

Você se sente por vezes tão inchada que parece até estar grávida? Ou as pessoas já lhe perguntaram se está grávida? Você tem algumas roupas (nota da editora: de preferência roupas largas, camisetões e calça legging) para essas ocasiões em que está tão inchada que precisa de uma medida acima do normal? Talvez você seja como a Samantha, uma mulher que está tentando lidar com essa disrupção física inconveniente e embaraçosa, além de outros efeitos frustrantes e dolorosos da endometriose.

Nós conhecemos a Samantha em um fórum recentemente, e ela concordou em partilhar a sua foto e história. Nas suas palavras “eu passei a ir apenas no dentista e médicos/hospitais, pois não suporto mais as pessoas olhando e pensando que estou grávida. Os médicos colocam a culpa do inchaço em outra coisa qualquer, mas nenhum investigou ou tentou fazer alguma coisa sobre isso. Eu ficaria tremendamente grata em receber algum tipo de ajuda, pois estou me sentindo totalmente abandonada.”

O inchaço severo que caminha de mão dada com a endometriose é frequentemente desconsiderado pelos médicos como sendo um sintoma menor. Para a portadora, no entanto, ele pode ser emocional e fisicamente devastador.

A barriga de endo é um exemplo do vasto leque de sintomas que as portadoras de endometriose experimentam e um dos muitos mal entendidos sinais comuns acerca dessa doença. Médicos, portadoras e até especialistas de endometriose frequentemente entendem mal a causa principal de muitos dos “sintomas de endo”. Serão eles sempre resultantes da endo, ou poderão existir outras causas?

Tem existido um bom progresso na criação de conscientização da endometriose e de um tratamento ideal. Um tratamento correto da endometriose requer a excisão completa dos focos em vez de serem queimados ou cauterizados. A cirurgia que simplesmente queima a superfície dos focos deixando a doença por baixo é frequentemente associada a uma continuação ou recorrência dos sintomas pouco tempo após a cirurgia.

Contudo, essa não é a história completa, e para entender realmente essa doença, precisamos que exista conscientização das partes do quebra-cabeça que está em falta. Em meus 25 anos de prática especializada em endometriose, eu tenho avaliado a complexidade do padrão de sintomas com que muitas das minhas pacientes lidam.

Enquanto que aproximadamente metade das minhas pacientes são principalmente afetadas pela endometriose, o que pode ser eficazmente resolvido através de excisão cirúrgica, a outra metade tem outras doenças ou problemas de saúde que coexistem com a sua endometriose.
Nesse último grupo de pacientes, enquanto a cirurgia de excisão serve como base do seu tratamento, a completa resolução dos seus sintomas requer que olhemos os problemas adicionais, incluindo disfunção multissistêmica. Nessas pacientes, é um erro assumir automaticamente que a continuação dos sintomas após a cirurgia se deve a endometriose persistente ou recorrente.

O real problema pode ser estendido para além desse diagnóstico e não é raro que englobe outras doenças frequentemente associadas, que podem ser mascaradas ou ensombradas pelo diagnóstico inicial de endometriose.

A “barriga de endometriose” pode ser o resultado dos focos de endometriose e pode melhorar após a remoção cirúrgica da doença. No entanto, eles não são a única causa para a “barriga de endometriose” e outros problemas de saúde podem também ocorrer que causem ou contribuam para esses surtos bem conhecidos de inchaço extremo e distensão.

No nosso centro, nós abordamos a endometriose e os seus problemas de saúde associados a partir de um paradigma multi-disciplinar incluindo medicina tradicional (exemplo: excisão cirúrgica), bem como uma variedade de modalidades integrativas e holísticas.

A nossa abordagem é baseada na mais recente informação científica. Tratamos a paciente por inteiro, não apenas a remoção cirúrgica dos focos de endometriose. Outro exemplo disso é o papel do intestino, incluindo o microbioma humano (as bactérias que vivem no nosso intestino), como causa da dor pélvica e outros problemas de saúde.

Num outro texto, a Danielle Cook, RD, MS, aborda a importância dasbactérias no intestino como fator contributivo para o inchaço epara a “barriga de endometriose”. Essa será uma breve passagem e cobrirá apenas alguns dos fatos importantes sobre o impacto crítico que o intestino tem na nossa saúde intestinal, e também no geral. 

Fonte: Vital Health

terça-feira, 6 de outubro de 2015

DAVID REDWINE: O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE ENDOMETRIOSE DE PELE (DE CICATRIZ, DE UMBIGO)!!

Eu e o médico e cientista americano David Redwine em sua visita ao Brasil em 2014

Já contamos histórias de mulheres que tiveram endometriose de cicatriz, como a da capixaba Danielle Balbino e a da portuguesa Sara Ferreira, mas nunca abordamos em texto a endometriose de pele. O médico e cientista americano David Redwine discorre o tema de maneira precisa e muito bem explicada. Como surge a endometriose cutânea, que pode ser a de umbigo e a de cicatriz, que não necessariamente só ocorre quando  a mulher faz alguma cirurgia. Um texto de perguntas e respostas bem objetivas que aborda as principais dúvidas sobre a endometriose de pele, tais como os sintomas, o tratamento, como surge este tipo de tratamento, por que uma mulher que nunca operou também pode ter endometriose de umbigo? Mais um texto exclusivo do A Endometriose e Eu. Beijo carinhoso! Caroline Salazar

Entrevista em inglês: Libby Hopton  
Tradução: doutor Alysson Zanatta
Edição: Caroline Salazar



Perguntas e respostas sobre endometriose cutânea:
Libby Hopton: Segundo meu entendimento, a endometriose cutânea (nota do tradutor: de pele) é mais comumente encontrada em cicatrizes de cirurgias prévias. Antes de considerar a endometriose cutânea em maior detalhe, há também casos de endometriose cutânea na ausência de uma incisão / cicatriz, e caso haja, onde essas lesões ocorrem com maior frequência?
David Redwine: Segundo meu conhecimento, além dos casos de endometriose espontânea envolvendo o umbigo, a única ocasião de endometriose cutânea não associada à uma cicatriz cirúrgica foi um caso de endometriose na vulva em uma nuligesta (nota do tradutor: que nunca gestou). (Healy JJ. Bilateral endometriosis of the vulva. Am J Obstet Gynecol 1956; 72:1361-3)
LH: No exemplo da endometriose umbilical, costuma haver sempre uma incisão cirúrgica prévia no umbigo antes do surgimento da doença ou essa tende a ser espontânea neste local?
DR: A endometriose umbilical tende a ser espontânea e eu suponho que a maioria dos casos de endometriose umbilical seja espontânea. Há relatos esporádicos de endometriose umbilical que surgiram após histerectomia (nota do tradutor: cirurgia de retirada do útero) laparoscópica com uso de trocater umbilical. Nesses dois casos, fragmentos de endométrio e miométrio foram removidos através do umbigo desprotegido (o trocater foi removido e o tecido foi puxado através do umbigo). (Konninckx PR et al. Umbilical endoemtriosis after unprotected removal of uterine pieces through the umbilicus. J Am Assoc Gynecol Laparosc 2000; 7:227-32.)
LH: Quais são os sintomas da endometriose cutânea e em qual idade essa forma da doença geralmente ocorre? Ela costuma piorar com o tempo? A endometriose cutânea está associada a lesões em outros locais ou ela pode se apresentar isoladamente, como o único local da doença?
DR: A endometriose cutânea se apresenta como um nódulo pequeno, doloroso, que pode crescer lentamente. Muitas lesões parecem atingir um certo tamanho e param de crescer. Inchaço e dor local cíclicas são os sintomas mais comuns da endometriose cutânea. O umbigo é a parte mais fina da parede abdominal, talvez alguns centímetros de espessura apenas, mesmo nas pessoas obesas. Indo de fora para dentro, as camadas do umbigo são: epiderme, derme, fascia, gordura retroperitoneal, e peritônio. Como a espessura da parede abdominal na cicatriz umbilical é tão fina, a endometriose umbilical pode também estar associada a um sangramento cíclico. A endometriose de uma cicatriz cirúrgica (a forma mais comum de endometriose cutânea) geralmente não afeta a derme ou epiderme (as camadas da pele) como acontece com a endometriose do umbigo, portanto o sangramento externo será raro, se é que ocorrerá alguma vez. A endometriose da cicatriz cirúrgica acomete primariamente a fáscia, com alguma fibrose da gordura subcutânea sobrejacente à fáscia. A endometriose de cicatriz cirúrgica raramente tem alguma conexão mais profunda em direção ao peritônio ou cavidade endometrial.
LH: No caso da endometriose que surge nas cicatrizes, quais são os possíveis mecanismos causais (i.e, tecido endometrial transplantado e “preso” na incisão e/ou tecido saudável que se transforma em endometriose como resultado de substâncias químicas liberadas durante o processo de cicatrização)?
DR: As duas possíveis causas da endometriose de cicatriz cirúrgica são o autotransplante (inoculação diretamente na cicatriz de tecido endometrial originado do útero) e metaplasia (nota do tradutor: transformação de uma célula em outro tipo de célula) relacionada à liberação de substâncias químicas liberadas pelo corpo durante a cicatrização, incluindo vários fatores de crescimento. Um fator que fala contra o autotransplante é que a histologia da endometriose de cicatriz não é aquela típica de um tecido endometrial bastante diferenciado, como seria a do tecido endometrial original do útero. Seria de se esperar que o tecido autotransplantado permanecesse mais idêntico ao tecido de origem uterina. Outro fator contra o autotransplante é a propensão da endometriose de cicatriz envolver primariamente a fascia – se a inoculação de toda uma cicatriz ocorresse, seria de se esperar que a endometriose de cicatriz envolvesse mais uniformemente todas as camadas desde a pele até o peritônio, e não apenas primariamente uma das camadas. É claro e evidente que cada célula no corpo tem o potencial genético de se transformar em outro tipo de célula, dado o estímulo adequado, portanto cada célula no corpo pode ser uma “célula-tronco”. Segundo o conceito da Mülleriose, fragmentos de tecido podem ser distribuídos em locais do corpo que já contêm endometriose, ou que possuem uma capacidade aumentada de passar por metaplasia e se transformarem em endometriose. Na pelve, esses fragmentos de tecido são mais comumente encontrados na pelve posterior mas podem ocorrer em qualquer local da pelve, intestino, ou bexiga. Entretanto, teoricamente esses fragmentos também poderiam ser encontrados em qualquer local do corpo, apesar de que com uma frequência inversamente proporcional à distância ao fundo de saco (pelve posterior). Por esse conceito, a parece abdominal poderia conter esses fragmentos de tecido, distribuídos mais comumente na parede abdominal inferior próximo à pelve. As artérias e veias umbilicais passam pelo umbigo do feto. No feto feminino essas estruturas originam-se das artérias e veias uterinas. Portanto, o umbigo tem uma conexão direta e compartilhada com a pelve que pode se estender à formação da parede abdominal e que pode portanto estar associada com a endometriose de cicatriz que envolve o umbigo. Esse aspecto ontológico (nota do tradutor: relacionado à formação de órgãos) do umbigo pode aumentar a possibilidade de que um fragmento de tecido Mülleriano tenha sido depositado no umbigo com maior frequência em relação a outros locais na parede umbilical. Se fragmentos de tecido Mülleriano fossem depositados no umbigo, o umbigo poderia então apresentar endometriose espontânea (se a endometriose tivesse se originado durante a embriogênese), ou endometriose de cicatriz relacionada à laparoscopia devido à metaplasia de tal fragmento tecidual estimulada por fatores de crescimento durante o processo de cicatrização. Tal fragmento de tecido seria mais propenso a desenvolver endometriose por metaplasia relacionada à cicatrização de uma ou repetidas incisões umbilicais usadas para os trocateres de laparoscopia do que uma outra incisão de trocater onde não houvesse fragmentos de tecido acometidos pela Mülleriose.
LH: Há certos tipos de cicatrizes associadas a determinado tipo de doença mais frequentes do que outras?
DR: A endometriose de cicatriz foi relatada em incisões de laparotomia transversas, verticais, em punções de trocater no umbigo, em locais de amniocentese (nota do tradutor: punção para coleta de líquido amniótico durante a gravidez), e episiotomias (nota do tradutor: incisão no períneo para facilitação do parto vaginal). A endometriose de cicatriz de incisões de laparotomia parece seguir o seguinte padrão – em incisões transversas, a endometriose é pouco encontrada na linha média, e sim mais em um dos lados – o direito sendo o mais comum. A predileção da endometriose de cicatriz pelo lado direito da parede abdominal reproduz a predileção da endometriose inguinal por esse mesmo lado, sugerindo que a parede abdominal direita contém mais comumente fragmentos de tecido Mülleriano do que o lado esquerdo. Com incisões verticais, a endometriose é encontrada mais próxima à sínfise púbica do que do umbigo, sugerindo que os fragmentos de tecido são mais comuns em locais próximos à pelve. A maioria das lesões de endometriose de cicatriz de laparotomia é representada por um único nódulo.
LH: No caso da endometriose de cicatriz, seria o tecido transplantado uma confirmação da teoria implantacional e suportando o conceito de que o endométrio nativo pode implantar-se e invadir outros locais fora do útero? A endometriose de cicatriz é um modelo para a teoria de Sampson da menstruação retrógrada como a origem da endometriose?
DR: A teoria de Sampson sobre a origem da endometriose fala sobre o endométrio menstrual implantando-se sobre superfícies peritoneais. Muitos casos de endometriose de cicatriz não estão relacionados com endométrio menstrual descamado, mas conotam a possibilidade que o endométrio viável tenha sido inoculado em uma cicatriz fresca e receptiva. Isso sugeriria que a endometriose de cicatriz não seria um modelo para explicar a teoria de Sampson. Um outro ponto foi mencionado acima – a endometriose de cicatriz de laparotomia manifesta-se como um único nódulo na maioria dos casos. Eu nunca encontrei um caso onde houvesse um segundo nódulo. Se ocorresse a inoculação ao longo de uma cicatriz de 9 a 10 cm, seria de se esperar que algumas pacientes tivessem mais de um nódulo. Portanto a endometriose de cicatriz não pode ser aceita como um bom modelo para exemplificar a teoria de Sampson. Punções de laparotomia ou de amniocentese são pontos únicos onde esperar-se-ia o desenvolvimento de um único nódulo. Se tal nódulo único da endometriose de cicatriz fosse observado sem o conhecimento do padrão de distribuição da endometriose de cicatrizes de laparotomia, seria fácil concluir rapidamente que houve inoculação local pelo endométrio. Em resumo, as cicatrizes de laparotomia representam um “laboratório” melhor para o estudo das lesões de endometriose de cicatriz do que aquelas de locais de punção. Não se sabe se existe a possibilidade de se estabelecer endometriose em uma incisão cirúrgica a partir de uma lesão de endometriose pélvica.
LH: Quando existe a endometriose de cicatriz, ela tende a acometer apenas a superfície externa da pele ou ela pode penetrar toda a espessura da parede abdominal e mesmo formar um trajeto de fora para dentro ou vice-versa?
A neurocientista inglesa Libby Hopton e eu em 2014
DR: Como respondido acima, a doença costuma envolver apenas a fáscia.
LH: Qual o melhor tratamento para a endometriose cutânea?
DR: Minha experiência pessoal e a literatura publicada tornam claro que a excisão cirúrgica com margens livres é curativa na grande maioria dos casos.
LH: Ela pode ser tratada diretamente por cirurgia?
DR: Sim, é fácil de se operar na parede abdominal. Geralmente a cirurgia não se estende à cavidade abdominal. Quando isso acontece, a área geralmente é pequena comparada às incisões de laparotomia.
LH: Existem alguns tipos mais facilmente tratados do que outros?
DR: Todas são igualmente fáceis de serem tratadas desde que não envolvam estruturas vitais. O reparo cosmético do umbigo é um pouco mais difícil do que o simples fechamento da pele sobre um nódulo de laparotomia.
LH: Se a endometriose de cicatriz pode formar-se puramente como resultado do processo de cicatrização (tecido que passa por metaplasia e se transforma em endometriose sob a influência do ambiente celular durante a cicatrização), o que fazer para evitar que este mesmo processo recorra após a ressecção da área doente e com a formação de um novo tecido de cicatrização?
DR: O fragmento de tecido depositado no período embrionário foi agora removido. Tais fragmentos não são necessariamente feixes de tecidos contínuos que se pareçam com avenidas, apesar de alguns poderem ser. Alguns fragmentos podem ser depositados aqui ou ali ao longo de uma região previamente estabelecida.
LH: Quais medidas podem ser tomadas durante as cirurgias para reduzirem o risco de endometriose nos locais cirúrgicos?
DR: Se a endometriose de cicatriz for causada pela estimulação de fragmentos teciduais embriológicos, não haveria nenhuma prevenção óbvia, já que o processo de cicatrização teria que ser interrompido. Dada a raridade da endometriose de cicatriz – muitas mulheres submetidas a laparotomias ou laparoscopias jamais a desenvolverão – não faria sentido você tentar interferir no processo de cicatrização de 100% das pacientes para prevenir a endometriose de cicatriz em < 0,5% delas. Se a endometriose de cicatriz fosse causada por inoculação da cicatriz cirúrgica, então talvez colocando-se uma barreira sobre cada camada da parede abdominal (especialmente a fascia) antes de se adentrar o peritônio talvez fizesse sentido. Mas surge a questão novamente – você assumiria os esforços e os custos em 100% das pacientes para proteger < 0,5% de um problema benigno, facilmente tratado? Eu tenho certeza que alguma indústria de produtos médicos responderia que sim.
LH: A endometriose pode se formar (por metaplasia) ou tornar-se parte (por excisão cirúrgica incompleta) na cúpula vaginal (nota do tradutor: porção superior da vagina onde o útero se inseria, e que torna-se uma cicatriz após a sua remoção) após uma histerectomia? Caso positivo, quais seriam os sintomas (dor, sangramento cíclico)?
DR: O tecido da parede vaginal é um epitélio escamoso estratificado, exatamente igual à pele. A diferença é que a parede vaginal não tem folículos pilosos ou glândulas sudoríparas. Portanto, todo comentário feito a respeito da endometriose de cicatriz aplica-se à parede vaginal. A parede vaginal posterior atrás do colo uterino é o local mais comum de ocorrência da endometriose de vagina, geralmente associada a uma lesão no reto com obliteração do fundo de saco de Douglas, ou a um nódulo no ligamento útero-sacro. Caso o fórnice posterior da vagina normal não tenha sido removido juntamente com um nódulo no reto ou ligamento útero-sacro, há uma chance de que este local ainda possa formar uma lesão de endometriose no futuro, já que fragmentos de tecidos embriológicos permaneceram no local e podem se manifestar como endometriose no futuro. O Professor Donnez, na Bélgica, observou isso e recomenda que o fórnice vaginal posterior seja removido rotineiramente quando houver um nódulo adjacente para a diminuição da recorrência pós-operatória (o que parece ser por um processo de metaplasia). Voltando à reposta específica da questão, o meu palpite é que a maioria das lesões de endometriose de cúpula vaginal é relacionada a nódulos adjacentes que não foram removidos e que a endometriose foi simplesmente incorporada à cúpula vaginal durante seu fechamento cirúrgico.
Nota do Tradutor: Em mais um texto claro e autoexplicativo, Dr. Redwine responde à Libby Hopton, neurocientista e dedicada pesquisadora da doença, perguntas sobre a endometriose de cicatriz, especialmente a endometriose de umbigo e a endometriose em incisões cirúrgicas.
O ponto mais interessante dessa entrevista são os argumentos expostos pelo Dr. Redwine que contrariam a teoria de que a endometriose de cicatriz tenha sido causada por inoculação cirúrgica direta, proposta pelos expoentes da teoria de Sampson, ou teoria da menstruação retrógrada. Dr. Redwine explica que esse tipo de endometriose possivelmente se deva à uma estimulação de tecidos embrionários que foram depositados naqueles locais, durante o processo de cicatrização. Isso explica os casos de endometriose de umbigo que surgem em mulheres que jamais foram operadas. Pessoalmente, tive a oportunidade de tratar duas mulheres com endometriose de umbigo, e ambas jamais tinham sido operadas.
Entender a causa e os mecanismos da endometriose (a de cicatriz, ou as outras formas da doença ) significa escolhas acertadas, e maiores chances de sucesso no tratamento.


Sobre o doutor Alysson Zanatta:
Graduado e com residência médica pela Universidade Estadual de Londrina, doutor Alysson Zanatta tem especializações em uroginecologia e cirurgia vaginal pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), cirurgia laparoscópica pelo Hospital Pérola Byington de São Paulo e doutorado pela Universidade de São Paulo, USP. Suas principais áreas de atuação são a pesquisa e o tratamento da endometriose, com ênfase na cirurgia de remoção máxima da doença. Seus inter­esses são voltados para iniciativas que promovem a conscientização da população sobre a doença, como forma de tratar a doença adequadamente. É diretor da Clínica Pelvi Uroginecologia e Cirurgia Ginecológica em Brasília, no Distrito Federal, onde atende mulheres com endometriose, e Professor-adjunto de Ginecologia da Universidade de Brasília (UnB). (Acesse o currículo lattes do doutor Alysson Zanatta).